DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Embaixador palestino no Brasil apoia Lula em Conselho da Paz de Trump

Marwan Jebril vê participação brasileira como positiva; Amorim critica formato do conselho proposto pelos EUA

Por Sputinik Brasil Publicado em 22/01/2026 às 20:49
Embaixador palestino apoia Lula em conselho internacional de paz proposto pelos EUA © AP Photo / Abdel Kareem Hana

O embaixador Marwan Jebril, chefe da Autoridade Palestina no Brasil, afirmou nesta quinta-feira (22) que os palestinos apoiam a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Conselho da Paz, criado e anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em entrevista à Globonews, Jebril destacou a importância de ter aliados dos palestinos no comitê, especialmente diante da presença de representantes de Israel no Conselho da Paz.

"A decisão quem toma é o Brasil, se vai fazer parte ou não. Mas nós, sim, vemos com bons olhos que haja países amigos [presentes]. Não esqueçamos que Israel também está dentro deste conselho. [...] É bom que haja países amigos que defendam o direito dos palestinos à autodeterminação, à liberdade e que haja um Estado palestino."

O embaixador lamentou a ausência de um representante político palestino no comitê, mas ressaltou que a participação de Arábia Saudita, Catar, Egito, Indonésia e Turquia traz esperança de que o Conselho da Paz seja apenas temporário.

"Coordenamos com eles para que este comitê seja transitório, com no máximo dois anos [de duração], e para que depois as competências da Faixa de Gaza sejam passadas ao governo palestino", declarou o embaixador.

Nesta quinta-feira, Lula conversou por telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para tratar da situação em Gaza e dos próximos passos após o cessar-fogo.

De acordo com o Itamaraty, Lula expressou satisfação com o cessar-fogo e consultou Abbas sobre as perspectivas de reconstrução da região. O presidente brasileiro também reiterou o compromisso do Brasil com a paz no Oriente Médio.

No mesmo dia, em entrevista ao jornal O Globo, Celso Amorim, assessor internacional de Lula, posicionou-se contra a participação brasileira no Conselho de Paz.

Segundo Amorim, o documento que institui o conselho não menciona a Faixa de Gaza e poderia ser utilizado em qualquer conflito, criando, na prática, um novo Conselho de Segurança com presidência permanente dos Estados Unidos.

"Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país."