OPERAÇÃO POLICIAL

Ordens judiciais falsas e aviso de CPF bloqueado: como era central do golpe na Faria Lima

Polícia Civil desarticula quadrilha que usava endereço nobre de São Paulo para aplicar golpes em idosos, simulando cobranças judiciais e bloqueio de CPF.

Publicado em 22/01/2026 às 21:06
Reprodução / Agência Brasil

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou, nesta quinta-feira (22), uma central de golpes que funcionava na Avenida Faria Lima, no Itaim Bibi, zona sul da capital paulista.

Segundo a investigação, os criminosos escolheram o centro financeiro da cidade justamente para conferir maior credibilidade ao esquema fraudulento.

No total, 12 pessoas foram presas e encaminhadas à 4ª Delegacia da DCCIBER (Divisão de Investigações sobre Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos). Os nomes dos detidos não foram divulgados, impossibilitando contato com as defesas.

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), responsável pelo caso, apurou que a empresa usada pelos golpistas era híbrida: parte dela realizava cobranças legítimas de dívidas, enquanto a outra se dedicava exclusivamente a fraudes.

O golpe funcionava a partir de dados obtidos ilegalmente. Com essas informações, os criminosos cobravam valores que as vítimas, em sua maioria idosos, realmente deviam.

As cobranças eram feitas por meio de mensagens que simulavam ordens judiciais falsas ou notificavam bloqueio de CPF das vítimas.

Na sequência, as vítimas eram direcionadas para um atendimento telefônico, onde supostos operadores dos setores de cobrança e jurídico ameaçavam com penhora, protesto ou bloqueio de bens caso as falsas dívidas não fossem quitadas. Assustadas, muitas pessoas acabavam transferindo dinheiro aos golpistas.

Durante a operação policial, batizada de Título Sombrio, a polícia identificou um texto padronizado usado nas cobranças fraudulentas. Um dos trechos dizia: "O motivo do contato é referente a uma liminar expedida junto ao TJA (Tribunal de Justiça Arbitral) no CPF número do CPF onde foi solicitado o bloqueio de contas e benefícios governamentais a partir das 14h".

As investigações também revelaram que os golpistas criaram uma rede de empresas para viabilizar as fraudes, compartilhando sócios, endereços, dados operacionais e contábeis. Algumas dessas empresas estavam registradas em nome de laranjas.

Além da Faria Lima, a cidade de Carapicuíba, na Grande São Paulo, também servia como base para atuação da quadrilha e foi alvo da operação do DEIC.