ECONOMIA INTERNACIONAL

Dirigente do BoE alerta para risco de alta na inflação do Reino Unido com Fed mais flexível

Megan Greene, do Banco da Inglaterra, aponta que política monetária mais frouxa nos EUA pode pressionar preços britânicos e sugere cautela no ritmo de cortes de juros.

Publicado em 23/01/2026 às 08:48
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Megan Greene, dirigente do Banco da Inglaterra (BoE), alertou que uma postura mais flexível do Federal Reserve (Fed) pode representar um risco de alta para a inflação no Reino Unido. Segundo ela, se o Fed afrouxar sua política monetária de maneira mais agressiva do que o mercado já prevê, o impacto líquido sobre a economia britânica tende a ser inflacionário.

Greene explicou que, nesse cenário, “o afrouxamento das condições financeiras no Reino Unido provavelmente superaria o impacto desinflacionário de uma libra mais forte”, o que poderia elevar a pressão sobre os preços.

Em discurso, a dirigente destacou que enxerga “mais risco de a desinflação estar desacelerando do que de uma demanda mais fraca”, embora reconheça que ambos os riscos existem. Ela afirmou estar “menos preocupada agora com o risco de desaceleração do processo desinflacionário do que alguns meses atrás”, mas ainda atribui “mais peso a esse risco do que ao de enfraquecimento da demanda”.

Sobre o mercado de trabalho, Greene demonstrou menor preocupação. Apesar de observar sinais de moderação, ela ressaltou que não há evidências de aumento brusco do desemprego no horizonte. O crescimento do emprego segue estável e as vagas parecem ter se estabilizado, enquanto as empresas “entraram neste ciclo de aperto com balanços relativamente fortes”.

Greene também avaliou os efeitos da política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Uma eventual surpresa de aperto nos juros na zona do euro, segundo ela, “tenderia a pesar sobre o crescimento do Reino Unido” e a reduzir a inflação, podendo “compensar parcialmente” um impulso inflacionário vindo de um Fed mais dovish.

Por fim, Greene afirmou que, diante da possibilidade de uma política monetária mais frouxa nos EUA, o BoE deve monitorar atentamente os impactos sobre a inflação doméstica. Se cortes mais profundos de juros pelo Fed se confirmarem, isso “reforçaria a preocupação com a persistência da inflação no Reino Unido” e poderia justificar “uma retirada mais lenta do grau de restrição monetária”.