INVESTIGAÇÃO

Diretor do BC disponibiliza registros de conversas com ex-presidente do BRB ao MPF e à PF

Ailton de Aquino nega recomendação para aquisição de carteiras fraudadas e reforça compromisso com transparência em nota oficial do Banco Central.

Publicado em 23/01/2026 às 09:46
Banco Central do Brasil Reprodução

O Banco Central (BC) informou, por meio de nota, que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, nega ter recomendado a aquisição de carteiras fraudadas do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o comunicado, Aquino colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) o registro de suas conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

“Imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente”, destaca o BC.

A manifestação ocorre em resposta a reportagem publicada pelo jornal O Globo, que, com base em relatos e mensagens obtidos pela equipe, afirmou que o diretor teria solicitado ao então presidente do BRB a compra de carteiras de crédito consignado do Master, posteriormente identificadas como fraudulentas.

No comunicado, o BC ressalta que a área de supervisão da autarquia, liderada por Aquino, foi responsável por identificar inconsistências nessas operações e, imediatamente, conduziu rigorosas investigações que comprovaram a insubsistência dos ativos dessas carteiras. O texto acrescenta que partiu da própria área a iniciativa de comunicar os ilícitos criminais ao MPF, acompanhando a denúncia com documentação e análises técnicas.

“Na sequência, com o objetivo de prevenir novas operações que pudessem impactar a liquidez do BRB, a área de supervisão, sob orientação do mesmo diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB. Por fim, foi do próprio diretor a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas identificados”, complementa a nota.

O BC reforça ainda que cabe a cada instituição financeira, conforme a legislação vigente, “a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire no mercado, devendo manter procedimentos e controles internos adequados para o gerenciamento dos riscos de seus negócios”.

A autarquia ressalta também que tem obrigação legal de acompanhar continuamente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, com o objetivo de assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e proteger os interesses de depositantes, investidores e demais credores. O BC destaca que, no exercício desse mandato, a área de supervisão monitora rotineiramente riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez em qualquer instituição financeira.