MERCADO FINANCEIRO

Desconforto político-institucional sustenta alta do dólar na contramão da queda externa

Tensão política e institucional no Brasil contrasta com tendência global de queda da moeda americana, influenciando o câmbio nacional.

Publicado em 23/01/2026 às 09:54
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar apresenta leve alta no mercado à vista na manhã desta sexta-feira (23), impulsionado pelo desconforto político e institucional no cenário interno. O movimento ocorre após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmar que buscará a reeleição estadual e não disputará a presidência, além do impasse envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco de Brasília (BRB) e o banco Master, liquidado pela autoridade monetária em novembro. Na quinta-feira (22), a moeda americana recuou para R$ 5,2845, o menor patamar desde novembro, favorecida pelo fluxo positivo para mercados emergentes e pelo carry trade atrativo do Brasil.

Em nota, o Banco Central informou que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, "jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas" do Banco Master pelo BRB. A declaração foi feita após reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, afirmar que Aquino teria pressionado o BRB a adquirir carteiras de crédito consignado do Banco Master.

Segundo o comunicado, Aquino disponibilizou o registro de suas conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.

O ajuste de alta do dólar frente ao real contrasta com a desvalorização da moeda americana em relação a moedas de países desenvolvidos e de emergentes ligados a commodities, como o peso mexicano e o rand sul-africano, em meio à valorização do petróleo e do minério de ferro na China.

No cenário eleitoral, mesmo sem comparecer ao Fórum Econômico Mundial, Flávio Bolsonaro foi um dos nomes mais comentados em Davos, diante da incerteza sobre quem representará a direita contra Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições presidenciais. Entre os presentes, a avaliação é de disputa equilibrada (50/50), com leve vantagem para Lula por ser o atual presidente.

No exterior, o dólar inverteu a tendência e passou a cair frente ao iene após reação volátil à decisão do Banco do Japão (BoJ), que manteve os juros estáveis. A moeda americana chegou a 159,23 ienes, mas recuou para 157,37, movimento atribuído ao nervosismo do mercado e ao risco de intervenção, segundo Lee Hardman, do MUFG.

O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, reiterou que pode agir para estabilizar o mercado de títulos. O mercado também acompanha a dissolução da Câmara Baixa pelo governo de Sanae Takaichi, abrindo caminho para eleições antecipadas no Japão.

A libra esterlina passou a subir após índices de atividade (PMIs) acima do esperado em dezembro, enquanto o euro teve pouca reação a dados econômicos da zona do euro e da Alemanha, apresentando leve recuo.

No comércio internacional, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia está disposta a implementar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo após o Parlamento Europeu votar por adiar a ratificação para revisão legal.