Banco Central da China fixa yuan em patamar mais forte desde 2021
Referência abaixo de 7 por dólar indica maior tolerância de Pequim à valorização da moeda chinesa
O Banco Central da China (PBoC) definiu nesta sexta-feira a cotação de referência do yuan no nível mais forte em quase três anos, sinalizando disposição para permitir uma apreciação gradual da moeda, mesmo diante da preocupação em não prejudicar os exportadores.
O PBoC fixou o yuan em 6,9929 por dólar, ante 7,0019 na sessão anterior. É a primeira vez desde maio de 2023 que a taxa de referência fica abaixo de 7 yuan por dólar, um patamar considerado simbólico e acompanhado de perto pelo mercado.
A marca de 7 yuan por dólar é vista como um termômetro da tolerância de Pequim à valorização cambial, em meio a pressões internas e externas por um yuan mais forte, motivadas pelo crescente superávit comercial da China.
Apesar das tentativas dos Estados Unidos de conter o avanço das exportações chinesas, o superávit comercial anual da China superou US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2023. Economistas atribuem parte desse resultado à depreciação real do yuan, impulsionada pela inflação mais baixa chinesa em relação a parceiros comerciais.
O desempenho robusto das exportações contribuiu para o crescimento de 5,0% da segunda maior economia do mundo no ano passado. No entanto, os preços ao consumidor permaneceram estáveis, enquanto o setor imobiliário segue em desaceleração, afetando os gastos das famílias.
Embora o yuan tenha se valorizado frente ao dólar no último ano, análises do Goldman Sachs apontam que a moeda permanece cerca de 25% abaixo do valor considerado adequado pelos fundamentos econômicos da China. Já a Gavekal Dragonomics estimou que a taxa de câmbio efetiva real do yuan, ajustada pelos níveis de preços, está cerca de 15% abaixo do pico registrado em 2022.
Analistas avaliam que as recentes fixações firmes do PBoC refletem o crescente conforto do governo chinês com uma moeda um pouco mais forte, apoiada pelo enfraquecimento do dólar, alta nas exportações e recuperação do mercado de ações local. Entretanto, consideram improvável uma valorização rápida do yuan, já que as autoridades continuam sinalizando cautela ao definir as taxas de referência em níveis mais fracos do que o esperado pelo mercado.
“Agora, a questão-chave é quanto de apreciação do renminbi o PBoC está disposto a permitir, diante de preocupações como aperto monetário, desemprego, deflação e competitividade das exportações”, afirmou Gabriel Wildau, diretor-gerente da Teneo, em nota recente.
Segundo Wildau, a tolerância de Pequim a um yuan mais forte está relacionada à busca por fortalecer relações com parceiros comerciais, aumentar a confiança de investidores e empresas, e sinalizar otimismo com a economia, reduzindo a necessidade de impulsionar exportações via câmbio desvalorizado.
Fonte: Dow Jones Newswires
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado