JUSTIÇA

Roger Abdelmassih, condenado por estupros, é transferido de Tremembé para presídio comum

Ex-médico, que cumpre pena por estupro de dezenas de pacientes, agora está na Penitenciária 2 de Potim. Defesa tenta prisão domiciliar alegando saúde debilitada.

Publicado em 23/01/2026 às 11:30
Roger Abdelmassih Reprodução / Instagram

O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por estupros de dezenas de pacientes, deixou a Penitenciária de Tremembé, conhecida como o "Presídio dos Famosos", no interior de São Paulo. Ele passou a cumprir pena na Penitenciária 2 de Potim, também localizada no Vale do Paraíba, em um presídio comum.

A defesa de Abdelmassih busca autorização para que ele cumpra a pena em regime domiciliar, alegando que, aos 82 anos, o ex-médico apresenta saúde debilitada e risco de morte na prisão. A reportagem entrou em contato com a advogada de defesa e aguarda retorno.

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) comunicou à Justiça a transferência do detento no dia 2 deste mês.

Desde 2002, a Penitenciária de Tremembé abrigava os chamados "presos especiais": condenados por crimes de grande repercussão ou brutalidade, que costumam sofrer rejeição de outros detentos no sistema prisional. Recentemente, a rotina desses presos foi retratada na série Tremembé, disponível no Prime Vídeo.

Conforme revelou o Estadão, o governo estadual decidiu transformar o "presídio dos famosos" em uma unidade prisional comum, e desde novembro realiza transferências dos detentos. A maioria está sendo levada para a Penitenciária 2 de Potim, que possui capacidade para 844 presos, mas atualmente abriga 321, segundo a SAP.

Risco de morte súbita

A defesa, representada por Larissa Maria Sacco Abdelmassih, advogada e esposa do ex-médico, protocolou pedido de prisão domiciliar no Tribunal de Justiça ao final do ano passado. Os advogados alegam que Abdelmassih sofre de graves problemas cardíacos, incluindo cardiopatia isquêmica grave, hipertensão, insuficiência cardíaca e risco de morte súbita, além de estar em tratamento contra câncer de próstata.

Nesta quarta-feira (21), a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani determinou a realização de perícia médica para avaliar as condições de saúde do detento. "A fim de melhor instruir o pedido de prisão domiciliar, necessário analisar o atual estado de saúde do sentenciado, o que deverá ser feito através de novo laudo médico-pericial", escreveu a magistrada. O exame ainda não tem data marcada.

Condenação por estupros

Roger Abdelmassih foi condenado inicialmente a 278 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor contra mais de 70 mulheres. Posteriormente, a pena foi reduzida para 181 anos. Ele está preso desde 2014, após ser capturado no Paraguai, onde permaneceu foragido por três anos.

Em 2023, a defesa já havia solicitado prisão domiciliar humanitária, mas o pedido foi negado pela Justiça, sob o argumento de que Abdelmassih recebia todos os cuidados médicos necessários na penitenciária.

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a conceder prisão domiciliar ao ex-médico, mas o benefício foi revogado em 2019 por suspeita de irregularidades nas declarações de saúde. Em maio de 2021, a Justiça voltou a autorizar o regime domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, mas a decisão foi novamente revogada em julho do mesmo ano pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.