CRISE BANCÁRIA

BC determina que BRB faça provisão de R$ 2,6 bilhões após perdas com Caso Master

Banco Central exige reforço no balanço do BRB devido à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. Valor final da provisão ainda será negociado.

Publicado em 23/01/2026 às 11:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Central (BC) enviou um ofício ao Banco de Brasília (BRB) determinando a provisão de R$ 2,6 bilhões para reequilibrar o balanço da instituição, após o envolvimento em operações com carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. O valor final da provisão, entretanto, ainda será discutido entre o BC e o BRB, que realiza sua própria análise dos ativos e possui margem para apresentar contrapontos e negociar alternativas com a autoridade monetária.

As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmadas pelo Estadão.

Procurado, o BRB afirmou que trabalha em conjunto com o Banco Central e que uma investigação independente está em andamento para apurar o caso. Caso o prejuízo seja confirmado, o banco afirma já possuir um plano de aporte de capital preparado.

"Caso sejam confirmados, o BRB informa que já possui plano de capital que prevê aporte através de vários instrumentos de recomposição de capital. O BRB reafirma que segue sólido, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros", declarou o banco em nota.

Entenda o caso

Em março de 2025, o BRB apresentou uma proposta para adquirir parte do Banco Master. O processo foi negado pelo Banco Central em setembro e, posteriormente, em novembro, o Master foi liquidado.

Desde julho de 2024, o BRB vinha adquirindo carteiras de crédito consignado do Master, totalizando R$ 16 bilhões. Segundo investigações da Polícia Federal, cerca de R$ 12,2 bilhões dessas carteiras eram fraudulentas.

Após a descoberta das fraudes, o BRB passou a trocar esses ativos do Banco Master por outros próprios, mas nem toda a carteira foi substituída, conforme depoimento do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, revelado pelo Estadão.