ACORDO INTERNACIONAL

UE sinaliza prontidão para acordo provisório com Mercosul enquanto aguarda revisão jurídica

Presidente da Comissão Europeia afirma que bloco pode implementar acordo de livre comércio assim que um país do Mercosul ratificar o texto, mesmo diante de adiamento no Parlamento Europeu.

Publicado em 23/01/2026 às 12:26
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A União Europeia (UE) manifestou disposição para implementar, de forma provisória, o acordo de livre comércio com o Mercosul, enquanto aguarda a revisão legal solicitada pelo Parlamento Europeu. A informação foi dada nesta sexta-feira, 23, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao final da cúpula de líderes do bloco em Bruxelas, onde o tema foi pautado por diversos chefes de Estado.

"Há um interesse claro em garantir que os benefícios desse acordo sejam aplicados o mais rápido possível", afirmou von der Leyen em entrevista à imprensa. "Em resumo, estaremos prontos quando eles estiverem prontos."

Segundo ela, ainda não há decisão formal para a implementação provisória. Na mesma entrevista, António Costa, presidente do Conselho Europeu, destacou que a comissão executiva tem autoridade para avançar nesse sentido.

A possibilidade de implementação provisória pode gerar críticas, sobretudo da França, principal opositora do acordo. Na última quarta-feira, o Parlamento Europeu decidiu, por margem apertada, encaminhar o tratado à Corte Europeia de Justiça para revisão jurídica, o que adia a ratificação definitiva e impede votação até decisão da corte — um processo que pode se estender por meses.

O acordo é considerado estratégico para a UE, que busca diversificar parcerias comerciais e reduzir a dependência dos Estados Unidos, especialmente após episódios de tensão durante o governo Donald Trump. O bloco europeu já firmou acordos semelhantes com Japão e México, e negocia outro com a Índia.

O tratado Mercosul-UE, apoiado por países produtores de carne na América do Sul e por interesses industriais europeus, prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas para produtos como carne bovina argentina e automóveis alemães, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e beneficiando cerca de 700 milhões de consumidores.

A França, maior produtora agrícola da Europa, defende salvaguardas mais rígidas para seus agricultores e tem buscado adiar a aprovação do pacto. Por outro lado, o chanceler alemão Friedrich Merz classificou o adiamento como "lamentável" e pediu a aplicação provisória do acordo. Na América do Sul, a ratificação é vista como praticamente certa, dada a ampla aceitação do tratado.

O Mercosul é composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Bolívia, recém-incorporada ao bloco, ainda não integra o acordo comercial, mas poderá aderir futuramente. A Venezuela permanece suspensa e não faz parte do tratado./AP