INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Deivis Marcon Antunes, presidente do Rioprevidência, é alvo de operação da PF sobre o Master

Polícia Federal apura aportes de R$ 1 bilhão do fundo de previdência do Rio em títulos do Banco Master; Antunes está fora do país desde janeiro.

Publicado em 23/01/2026 às 14:35
Polícia Federal Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, tornou-se um dos principais alvos da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 23. A ação investiga suspeitas de irregularidades em aportes realizados pelo fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro em títulos do Banco Master.

As defesas de Antunes e dos demais citados na investigação não foram localizadas até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.

Segundo apuração do Estadão, Antunes já tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo da PF e, por precaução, passou a evitar sua residência no Rio de Janeiro. No dia 15 de janeiro, ele deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. Desde então, seu paradeiro permanece desconhecido.

Em nota, o Rioprevidência informou que Antunes "encontra-se oficialmente em período de férias, previamente programadas desde novembro de 2025, nos termos das normas internas vigentes".

Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Antunes é mestre em Direitos Fundamentais e Novos Direitos pela Universidade Estácio de Sá (Unesa), além de possuir ao menos outras seis especializações.

Antes de assumir a presidência do Rioprevidência, atuou no Banco do Brasil (BB) e na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), onde trabalhou por mais de 15 anos, iniciando como advogado júnior e chegando ao cargo de consultor jurídico. Antunes está à frente do Rioprevidência desde 5 de julho de 2023.

A PF apura uma possível gestão temerária por parte dos dirigentes do Rioprevidência ao autorizarem aportes de R$ 1 bilhão no Banco Master. A suspeita é de que as aplicações tenham sido aprovadas de forma irregular, incompatível com a finalidade do instituto de previdência, expondo os servidores públicos a "risco elevado". Entre os crimes investigados estão: crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

O Rioprevidência tenta reverter as aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Master por precatórios federais. Tradicionalmente destinadas a investidores profissionais, essas letras não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com o instituto, os papéis foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.

No âmbito da operação, quatro ordens judiciais foram cumpridas no Rio de Janeiro, incluindo buscas na sede da instituição e contra gestores. Além de Antunes, também foram alvos o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, ambos afastados após as suspeitas relacionadas ao caso Master.

Como a operação cumpriu apenas mandados de busca e apreensão, Antunes não é considerado foragido.