RIOPREVIDÊNCIA SOB INVESTIGAÇÃO

Cláudio Castro exonera diretor-presidente da Rioprevidência após operação da PF

Ação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em investimentos do fundo de previdência dos servidores do Rio; ex-dirigente está fora do país.

Publicado em 23/01/2026 às 17:56
Governador Cláudio Castro Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou nesta sexta-feira (23) o diretor-presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes. A decisão foi tomada após a Polícia Federal deflagrar uma operação para investigar suspeitas de irregularidades nos aportes do fundo de previdência dos servidores estaduais em títulos do banco Master.

A exoneração de Antunes foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado do Rio. Conforme apurado pelo Estadão/Broadcast, Antunes já tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo da operação e deixou o Brasil em 15 de janeiro. Os agentes federais não o encontraram em sua residência, e seu paradeiro permanece desconhecido.

A operação da PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na sede do Rioprevidência e contra gestores do fundo. Além de Antunes, também foram alvos o ex-diretor de Investimentos, Euchério Rodrigues, e o ex-gerente de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal, ambos já afastados dos cargos devido às suspeitas envolvendo o Banco Master.

O Rioprevidência buscava reverter aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Master, feitas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2024. O fundo negocia atualmente a substituição desses papéis por precatórios federais.

A operação Barco de Papel, da Polícia Federal, investiga operações financeiras supostamente irregulares que teriam exposto o patrimônio do fundo a riscos elevados, incompatíveis com sua finalidade. Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, fraude à fiscalização e ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

"A investigação, iniciada em novembro de 2025, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado", informou a Polícia Federal em nota.