Dólar recua 1,61% na semana com fluxo estrangeiro e carry trade atrativo
Moeda americana acumula queda diante de forte entrada de capital externo e diferencial de juros brasileiro
O dólar encerrou a semana com queda de 1,61% frente ao real, cotado a R$ 5,2862 nesta sexta-feira (23), após ajustes pontuais no mercado à vista. Apesar da leve alta de 0,03% no dia, a moeda norte-americana acumula desvalorização superior a 3,6% em 2026, impulsionada pelo forte fluxo estrangeiro e pelo cenário de carry trade favorável ao Brasil.
Mesmo com a valorização de quase 3% do petróleo e de cerca de 1% do minério de ferro em Dalian, além da desvalorização do dólar frente a moedas fortes, o real não conseguiu estender o rali registrado na véspera.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, há uma força compradora significativa próxima ao patamar de R$ 5,30, o que limita quedas mais acentuadas da moeda americana, mesmo em um ambiente externo positivo.
"Como o câmbio valorizou muito nos últimos dias, considero que o desempenho desta sexta-feira reflete apenas um ajuste de mercado", avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. Ele destaca que a queda do índice DXY contribui para manter a taxa de câmbio abaixo de R$ 5,29.
Do ponto de vista fundamentalista, Sung ressalta que a redução das tensões geopolíticas aumenta o apetite dos investidores por mercados emergentes. O diferencial de juros, com a Selic a 15% ao ano, segue atrativo para operações de arbitragem.
Na mesma linha, João Duarte, sócio especializado em câmbio da One Investimentos, observa que o real se mantém valorizado graças ao ambiente externo mais favorável, que estimula o ingresso de capital estrangeiro no câmbio, renda fixa e Bolsa de valores.
O Ibovespa, inclusive, renovou seu recorde intradiário, atingindo a marca inédita de 180,5 mil pontos. Até 21 de janeiro, a B3 já havia recebido R$ 12,35 bilhões em recursos externos, valor que corresponde a mais da metade de todo o aporte estrangeiro registrado em 2025.