MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros recuam levemente com alívio geopolítico, apesar de poucas novidades

Vértices longos da curva de juros se destacam em queda, refletindo distensão internacional e apetite estrangeiro.

Publicado em 23/01/2026 às 19:11
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À exceção da ponta curta — que permaneceu praticamente estável às vésperas da primeira decisão do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), para a qual o mercado projeta manutenção da Selic —, os juros futuros negociados na B3 encontraram espaço para estender, nesta sexta-feira (23), a trajetória de queda observada nas últimas sessões.

A redução dos prêmios de risco, ainda que mais tímida nesta sexta-feira, refletiu, segundo agentes do mercado, a percepção de distensão geopolítica após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar tom mais moderado em relação à Groenlândia e optar por não impor novas tarifas a países europeus.

Com o ambiente global mais favorável para mercados emergentes, os vértices mais longos — que tendem a atrair mais investidores estrangeiros — recuaram com mais intensidade, mesmo que de forma limitada: cerca de 4 a 5 pontos-base ao longo da tarde, apesar da estabilidade do dólar frente ao real e da pouca influência dos Treasuries, cujos rendimentos oscilaram próximos da estabilidade na segunda metade do pregão.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,698% para 13,695%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,06% para 13,025%, enquanto o DI para janeiro de 2031 recuou de 13,401% para 13,345%.

"A movimentação desta sexta ainda representa um pouco da repercussão do que aconteceu no exterior. O risco de cauda de Trump invadir a Groenlândia, que gerou forte aversão global, diminuiu", avalia Andrea Damico, fundadora e economista-chefe da BuysideBrazil. "Mas ainda existe tensão geopolítica, que pode provocar maior diversificação de portfólio. Hoje, acredito que o investidor estrangeiro buscou mais 'yield'", reforçou.

Em linha com essa avaliação, os vencimentos mais distantes da curva apresentaram os maiores declínios tanto no pregão quanto na semana. Em um período marcado pela influência do cenário externo sobre os mercados domésticos — e, em menor grau, pelo ambiente eleitoral local —, o DI para janeiro de 2027 cedeu 11 pontos-base na comparação semanal, o DI para janeiro de 2029 recuou 17 pontos-base, e a taxa para janeiro de 2031 caiu 15 pontos-base.

"Não temos como confirmar ainda, mas parece que os investidores estrangeiros estão alocando mais em renda fixa e também em juros", comentou Damico.

Segundo ela, as pesquisas eleitorais divulgadas na semana, que mostraram cenário mais favorável para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), podem ter contribuído para o rali dos ativos locais, mas não foram determinantes para o otimismo dos investidores. "Acho que as pesquisas tiveram pouco impacto nos preços. O maior vetor ainda é externo", opinou.

"Nos mercados, houve maior apetite do investidor externo, favorecido pelo alívio no ambiente global, o que levou a bolsa a renovar máximas, enquanto o real se valorizou frente ao dólar", destaca a equipe econômica do Santander em relatório. Em relação à curva de juros, o banco avalia que houve poucas alterações a poucos dias das reuniões do Copom e do Federal Reserve, para as quais o consenso do mercado é de manutenção das taxas.

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