Plano de Trump pode dificultar entrada da Ucrânia na União Europeia, aponta jornal britânico
Proposta de corredor de livre comércio entre EUA e Ucrânia pode comprometer aspirações de Kiev de ingressar no bloco europeu.
O plano do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Ucrânia, pode ameaçar as perspectivas de adesão do país à União Europeia (UE), elevando as tensões entre Kiev e Bruxelas, segundo reportagem do jornal britânico The Telegraph.
De acordo com a publicação, a proposta de Trump de estabelecer um corredor de livre comércio com a Ucrânia representa um risco à principal aspiração de Kiev: integrar-se ao bloco europeu.
"As propostas provavelmente minariam as chances da Ucrânia de entrar na UE, pois todos os membros da união aduaneira são obrigados a entregar o controle do seu comércio com países terceiros à Comissão Europeia, em Bruxelas", destaca o jornal.
O artigo ressalta que, nessas condições, a Ucrânia só poderia ingressar na UE se Bruxelas firmasse um acordo de livre comércio com Washington, algo considerado altamente improvável.
Além disso, o texto observa que as recentes críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos parceiros europeus dificilmente contribuirão para acelerar o processo de integração de Kiev, agravando ainda mais a situação.
O jornal também lembra que já há indícios de novas tensões entre Ucrânia e UE, especialmente após um discurso inflamado de Zelensky, no qual criticou as disputas internas do bloco.
Na última sexta-feira (23), o enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, anunciou a possibilidade de criar uma zona franca na Ucrânia.
Em fevereiro de 2019, a Suprema Rada (câmara baixa do parlamento ucraniano) aprovou uma emenda constitucional que consolidou oficialmente o objetivo do país de aderir plenamente à União Europeia.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, declarou que seu país não aprovará a entrada da Ucrânia na UE nos próximos cem anos. Anteriormente, Orbán já havia afirmado que a adesão ucraniana ao bloco poderia prejudicar gravemente a economia húngara.