Trump ameaça taxar Canadá em 100% caso país feche acordo com a China
Ex-presidente dos EUA faz provocações e impõe condições rígidas após anúncio de parceria estratégica entre Canadá e China.
Em postagem recente, Donald Trump afirmou que o Canadá não servirá de 'porto de descarga' para produtos chineses, reacendendo provocações ao chamar a liderança canadense de 'governador', numa referência à ideia de transformar o país no 51º estado americano.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre produtos canadenses caso o Canadá finalize um acordo comercial com a China.
Em publicação na plataforma Truth Social neste sábado (24), Trump declarou que, se o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, "pensa que vai transformar o Canadá em um 'porto de descarga' para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado".
"Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos EUA", escreveu Trump.
Na mesma publicação, Trump voltou a provocar o Canadá ao se referir ao primeiro-ministro como "governador", repetindo ironias feitas anteriormente ao ex-premiê Justin Trudeau, quando sugeriu que o Canadá poderia se tornar o 51º estado dos EUA.
Nesta semana, China e Canadá anunciaram uma nova parceria estratégica após a visita de Carney a Pequim. O acordo prevê a redução das tarifas chinesas sobre a canola canadense — produto do qual a China foi responsável por 94% das exportações canadenses em 2023, segundo o Canola Council.
Em 2025, a China havia imposto uma tarifa de 75,8% à canola canadense em resposta a restrições do Canadá à entrada de veículos elétricos chineses, impactando fortemente o setor agrícola canadense. Com o novo acordo, espera-se que as tarifas caiam para 15% até março.
Como contrapartida, o Canadá permitirá a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses em seu mercado, com tarifa de 6,1% — bem inferior aos 100% impostos durante o governo Trudeau. A expectativa é que a cota suba gradualmente para 70 mil veículos em cinco anos.
A iniciativa sinaliza o esforço do governo Carney para reconstruir relações com a China, seu maior parceiro comercial após os EUA, após anos de atritos durante a gestão Trudeau. Em coletiva à imprensa durante a viagem à China, Carney comemorou a redução das tarifas sobre os carros elétricos chineses.
"Esse é um retorno aos níveis anteriores aos recentes atritos comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os canadenses", afirmou Carney.