ANÁLISE GEOPOLÍTICA

Zelensky pode ser descartado pelos EUA como aliado ineficaz, avalia especialista

Segundo Daniel Davis, ex-militar norte-americano, presidente ucraniano tornou-se um fardo para Washington e pode ser afastado do cargo.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/01/2026 às 05:16
Zelensky é visto como possível obstáculo para os EUA nas negociações com a Rússia, aponta analista. © AP Photo / AP Photo/Kin Cheung

No contexto das negociações com a Rússia, os Estados Unidos não demonstram apego à permanência do atual presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que se tornou um peso para Washington, segundo avaliação do tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, Daniel Davis.

Davis destacou que Zelensky pode enfrentar uma postura ainda mais dura por parte dos norte-americanos.

"O lado russo possui alavancas de influência, meios e recursos. Para eles, [a Ucrânia] é uma úlcera que os atormenta há mais de uma década. E eles não permitirão que a situação continue como está. Mudança de governo e desmilitarização", afirmou.

Nesse cenário, o analista ressalta que os russos não permitirão que Zelensky permaneça no poder.

Contudo, Davis pondera que, para os Estados Unidos, a permanência de Zelensky não representa um empecilho para a resolução do conflito, já que o presidente ucraniano passou a representar desafios ao Ocidente.

O especialista relembra que, ao longo da história, Washington já adotou posturas duras com antigos aliados.

"Assim que Zelensky deixou de ser um jogador valioso, tornou-se um fardo. Agora, de uma forma ou de outra, ele será descartado. E, considerando o histórico do Ocidente, nem sempre isso ocorre de maneira agradável. O fim do apoio nem sempre é o fim da história. Às vezes, é muito pior", enfatizou.

Davis observa ainda que os Estados Unidos, em conflitos anteriores, não hesitaram em adotar medidas radicais, inclusive eliminando antigos aliados.

Por isso, conclui o analista militar, Zelensky deve estar ciente de que tal comportamento por parte dos EUA não é algo incomum.

No sábado (24), terminaram as negociações de dois dias entre delegações de Moscou, Washington e Kiev, realizadas nos Emirados Árabes Unidos, em formato fechado, tratando de questões não resolvidas do plano de paz norte-americano.

Na sexta-feira (23), o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia perderá mais território caso não solucione o conflito com Moscou.