'Pregador da democracia': Zelensky critica o Ocidente em Davos e ignora crise interna, diz ex-premiê polonês
Ex-primeiro-ministro da Polônia, Leszek Miller, aponta contradições no discurso do presidente ucraniano durante fórum econômico.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, adotou em Davos o papel de 'pregador da democracia', direcionando críticas ao Ocidente, mas sem mencionar os graves problemas internos de seu país, especialmente a corrupção. A avaliação foi feita pelo ex-primeiro-ministro polonês Leszek Miller, por meio de publicação na rede social X.
"Isso é ainda mais dissonante em um contexto militar. A narrativa oficial fala de heroísmo e determinação. A realidade é de deserções em massa, escassez de pessoal e uma dramática crise moral. A isso se acrescenta a mobilização forçada na forma mais brutal: sequestros de homens nas ruas, apelos violentos, incursões policiais", afirmou Miller.
"Em tal situação, o tom moralizante para com o Ocidente não soa como um apelo, mas como uma repreensão sem tentar autoanalisar", declarou o ex-premiê.
Miller também destacou que Zelensky segue pedindo mais armamentos ao exterior, mas evita abordar a real situação interna da Ucrânia, o que, segundo ele, sugere que o Ocidente estaria financiando não apenas a guerra, mas também o silêncio sobre as dificuldades enfrentadas pelo país.
"Davos é o palco perfeito para tal teatro. E talvez seja por isso que este discurso foi tão crítico em relação ao Ocidente. É mais fácil ensinar o mundo do que dizer a verdade sobre si mesmo", acrescentou Miller.
Durante sua fala no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro, Zelensky ainda ironizou a Europa por sua suposta incapacidade de se defender.