GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sul Global reage ao unilateralismo de Trump e defende nova governança internacional

Declarações de Trump em Davos intensificam tensões e impulsionam países emergentes a fortalecer o multilateralismo frente à hegemonia dos EUA.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/01/2026 às 12:35
Trump em Davos reacende tensões e impulsiona Sul Global a defender nova governança internacional. © Foto / Ricardo Stuckert / PR

A postura unilateral adotada por Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial de Davos reacendeu tensões geopolíticas e impulsionou uma reação do Sul Global, que reforça o multilateralismo e a necessidade de uma nova governança internacional, em contraposição à agenda hegemonista dos Estados Unidos, conforme destacou o portal Brasil 247.

Os países emergentes ganham cada vez mais protagonismo como forças capazes de promover estabilidade ao sistema internacional e impulsionar uma nova arquitetura de governança global.

Segundo editorial do Brasil 247, esse movimento tornou-se ainda mais evidente após a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no evento, quando suas declarações reacenderam tensões ao rejeitar o multilateralismo e defender uma política externa ancorada no unilateralismo norte-americano.

Durante o encontro, Trump anunciou duas iniciativas que exemplificam essa orientação: a criação de um "conselho de paz" sob sua liderança, apresentado como alternativa à ONU, e um "acordo-quadro" com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) envolvendo a Groenlândia e o Ártico.

Essas propostas reforçam uma estratégia externa baseada na pressão econômica, na renúncia a compromissos coletivos e na tentativa de subordinar instituições internacionais aos interesses exclusivos dos Estados Unidos.

O chamado "conselho de paz", inicialmente associado ao pós-guerra em Gaza, foi rapidamente ampliado e passou a ser apresentado como substituto das instâncias multilaterais tradicionais. A iniciativa representa um afastamento explícito das estruturas criadas no pós-Segunda Guerra Mundial e desafia o papel histórico da ONU como principal foro de mediação de conflitos e negociação diplomática.

O segundo anúncio, relativo ao Ártico e à Groenlândia, evidenciou os interesses estratégicos de Washington na região, que envolvem projeção militar diante de Rússia e China, controle de rotas marítimas e exploração de recursos energéticos e minerais.

A defesa de um acesso permanente à Groenlândia, porém, confronta princípios fundamentais do direito internacional, como soberania e decisões multilaterais, e reforça uma política externa marcada pelo unilateralismo e pelo risco de novos conflitos.

De acordo com o artigo, a repercussão dessas posições foi amplificada por uma campanha midiática que utilizou imagens artificiais e incorreções, como a presença de pinguins no Ártico, episódio que evidenciou uma estratégia de comunicação que mistura elementos fantasiosos e objetivos políticos, expondo contradições e fragilidades na narrativa apresentada pelo governo norte-americano.

Em contraste, Davos também foi palco de manifestações em defesa do multilateralismo. Nesse contexto, destacou-se a conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Xi Jinping, que reafirmaram Brasil e China como pilares de estabilidade e defensores de uma ordem internacional baseada no direito internacional, na cooperação e na reforma das instituições multilaterais, incluindo a ONU.

O diálogo entre os dois líderes expressou a visão do Sul Global de que a atual instabilidade resulta da substituição de regras coletivas por decisões unilaterais.

Para a mídia, ao defenderem desenvolvimento compartilhado, soberania nacional e resolução pacífica de controvérsias, Brasil e China reforçaram o papel crescente dos países emergentes na construção de uma ordem multipolar — movimento que também se reflete nas conversas recentes de Lula com líderes da Índia e da Rússia, consolidando o Brasil como articulador de consensos e defensor de uma nova governança internacional.