AVIAÇÃO COMERCIAL

Parceria entre Embraer e Adani pode levar montagem de jatos à Índia

Acordo histórico prevê instalação de linha de montagem da Embraer no país asiático, ampliando presença brasileira e fortalecendo indústria local.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/01/2026 às 12:58
Embraer e Adani anunciam parceria para montagem de jatos comerciais na Índia, ampliando presença brasileira. © Roslan Rahman

A Embraer e o grupo indiano Adani estão prestes a anunciar uma parceria para a montagem de jatos comerciais na Índia, em um movimento considerado estratégico para a aviação do país e para a expansão internacional da fabricante brasileira.

O anúncio, previsto para a próxima semana, deve ocorrer durante um evento no Ministério da Aviação Civil da Índia, conforme sugerem convites já enviados à imprensa. Inicialmente, a parceria será formalizada por meio de um memorando de entendimento, mas já é vista como um marco para a aviação civil indiana e para a Embraer.

Segundo informações do Brasil 247, a iniciativa atende a um objetivo antigo de Nova Deli: transformar o grande volume de encomendas de suas companhias aéreas — atualmente mais de 1.500 aeronaves — em produção nacional, fortalecendo a base industrial e reduzindo a dependência de fornecedores externos. Até então, fabricantes internacionais relutavam em instalar linhas de montagem completas no país, citando desafios como escala, custos, cadeia de suprimentos, qualificação de mão de obra e questões regulatórias.

A participação do grupo Adani, com seu capital nacional, influência política e capacidade industrial, pode ser decisiva para superar essas barreiras. O tom do convite à imprensa, que destaca o caráter "histórico" do anúncio, demonstra a intenção de governo e empresas de atribuir ao acordo um peso político e simbólico, além do comercial.

Para a Embraer, a parceria representa uma oportunidade estratégica em um mercado dominado por Airbus e Boeing. Embora cerca de 50 aeronaves da empresa já operem na Índia, a presença ainda é tímida diante do potencial local. Uma linha de montagem no país pode aumentar a competitividade da fabricante, aproximá-la de clientes e autoridades e posicioná-la melhor para atender uma demanda estimada em pelo menos 500 jatos regionais nas próximas duas décadas.

O projeto também está alinhado à estratégia do grupo Adani de investir em setores de alta tecnologia e ao esforço do governo indiano para consolidar uma política industrial robusta. Porém, como se trata de um memorando de entendimento, detalhes como cronograma, volume de produção e escopo técnico ainda estão em negociação. A reserva das empresas indica que o anúncio faz parte do processo político de construção da parceria.

Se concretizada, a linha de montagem poderá impulsionar a indústria local, desenvolver fornecedores, gerar empregos qualificados e tornar a operação de jatos regionais mais competitiva na Índia. A parceria, já noticiada pela imprensa indiana, tem potencial para reposicionar o debate sobre produção aeronáutica no país e influenciar a disputa global por um mercado em expansão.