CRISE INSTITUCIONAL

Crise no STF: pressão por enviar caso Banco Master à 1ª instância ganha força, diz mídia

Ministros do Supremo avaliam que saída do caso das mãos de Toffoli é inevitável para conter desgaste e proteger a imagem da Corte.

Publicado em 26/01/2026 às 05:30
Ministros do STF debatem envio do caso Banco Master à primeira instância para conter crise e desgaste. © Foto / Bruno Peres/Agência Brasil

A cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia como inevitável a retirada do caso Banco Master das mãos do ministro Dias Toffoli, defendendo o envio do processo à primeira instância como solução prática para reduzir o desgaste e evitar que a crise se amplie, envolvendo todo o tribunal em uma disputa política.

Segundo apuração do G1, ministros do STF consideram que a alternativa mais adequada para o caso Banco Master é remetê-lo à primeira instância. Essa medida, descrita como um caminho "feijão com arroz", evitaria a criação de novas teses jurídicas, reduziria a pressão sobre o Supremo e afastaria Toffoli do centro da crise.

Investigadores ouvidos pela reportagem avaliam que a situação de Toffoli é insustentável e tende a se agravar. Para eles, não há perspectiva de reversão do desgaste, já que novos desdobramentos podem surgir independentemente das decisões do ministro.

A análise interna aponta que o problema é estrutural: parte significativa das investigações ocorre fora do STF e sem controle de Toffoli, especialmente em São Paulo, onde apurações financeiras seguem em andamento. Assim, mesmo uma tentativa de reorganizar o caso dentro do Supremo não impediria o avanço do desgaste por outras frentes.

Esse diagnóstico já foi compartilhado com a maioria dos ministros, acompanhado do alerta de que o caso pode "arrastar o tribunal para a lama", transformando um problema individual em risco institucional. Há consenso interno sobre a gravidade do cenário e o potencial de dano à imagem da Corte.

De acordo com a mídia, cresce dentro do STF a percepção de que Toffoli não reúne condições de seguir à frente do caso, tornando o envio à primeira instância a alternativa menos traumática, ainda que distante de ser honrosa. A possibilidade de afastamento voluntário do ministro é vista como improvável, e ministros lamentam a ausência de uma articulação prévia que pudesse ter evitado a escalada da crise.

A manutenção do caso no STF concentra o desgaste em Toffoli e expõe o tribunal ao risco de ser visto como atuando em causa própria, sobretudo com novos fatos surgindo fora do alcance do relator. A avaliação interna é que prolongar o impasse aprofunda a crise e coloca o STF no centro de uma disputa política contínua, com risco de dano institucional caso a situação não seja contida.

Por Sputnik Brasil