Fluxo recorde de dólares fortalece real e leva Ibovespa a novos patamares
Entrada maciça de capital estrangeiro impulsiona Bolsa e valoriza o real; cenário global e juros altos no Brasil atraem investidores.
O início de 2025 foi marcado por uma entrada recorde de dólares no Brasil, o que derrubou a cotação da moeda norte-americana em quase 4% e impulsionou o Ibovespa a máximas históricas.
Em janeiro, investidores internacionais aportaram mais de R$ 12 bilhões na Bolsa brasileira, valor que corresponde a quase metade do total registrado em todo o ano passado, levando o índice a superar os 178 mil pontos.
Segundo a Folha de S.Paulo, analistas apontam que o movimento é reflexo de uma tendência global, motivada pela saída de capitais dos Estados Unidos diante da instabilidade geopolítica e do temor de congelamento de ativos, intensificados pelas tensões envolvendo a Groenlândia. O dólar perdeu força também frente a outras moedas, evidenciando esse reposicionamento internacional.
A fuga de títulos do Tesouro norte-americano ganhou força após precedentes como o confisco de ativos russos, levando países a reduzirem sua exposição aos EUA. Parte desse capital migrou para o Brasil, que oferece mercado de grande porte, alta liquidez e ações negociadas ainda abaixo da média histórica de preço/lucro.
Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que, caso o país avance no ajuste fiscal, o fluxo de investimentos pode crescer ainda mais, com potencial de levar o Ibovespa a patamares superiores. Apesar do bom desempenho, outros mercados latino-americanos, como Peru, Colômbia e Chile, tiveram resultados ainda melhores em dólares neste início de ano.
O cenário global também beneficia metais preciosos: ouro e prata atingiram recordes históricos, impulsionados pela busca por proteção diante das tensões entre EUA e Europa, além de avanços norte-americanos na Venezuela, no Irã e pressões sobre a Colômbia.
A incerteza sobre a economia dos EUA — especialmente inflação, juros e ritmo de crescimento — amplia a volatilidade e dificulta apostas de longo prazo, impactando o câmbio brasileiro. A instabilidade geopolítica reforça a busca por ativos considerados mais seguros.
No Brasil, os juros elevados também fortalecem o real: com a Selic a 15% e inflação próxima de 4%, o ganho real supera 10%, tornando o país ainda mais atraente para investidores estrangeiros. A valorização do real amplia o retorno desses investimentos.
Apesar do cenário favorável, economistas alertam que o ciclo pode ser temporário. Entre os riscos, estão cortes menores de juros pelo Federal Reserve (Fed) e os efeitos das eleições brasileiras. Ainda assim, há quem veja espaço para a continuidade do fluxo, diante da nova dinâmica global e do enfraquecimento do dólar.