Confiança do consumidor recua 1,8 ponto em janeiro e interrompe sequência de altas, aponta FGV
Índice de Confiança do Consumidor cai para 87,3 pontos; queda é mais acentuada entre famílias de menor renda
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou queda de 1,8 ponto em janeiro em relação a dezembro, considerando a série com ajuste sazonal, e atingiu 87,3 pontos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O resultado interrompe uma sequência de quatro altas consecutivas.
Apesar da retração mensal, na análise por médias móveis trimestrais, o índice apresentou avanço de 0,3 ponto.
"Após subir por quatro meses seguidos, a confiança do consumidor recua num movimento de reversão das expectativas para os próximos meses. O resultado é disseminado entre três das quatro faixas de renda, concentrado nas famílias que recebem uma menor remuneração", avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do Ibre/FGV, em nota oficial.
Em janeiro, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 0,8 ponto, chegando a 82,6 pontos, marcando a segunda queda consecutiva. Já o Índice de Expectativas (IE) recuou 2,5 pontos, para 91,3 pontos.
De acordo com Gouveia, "o indicador que reflete a percepção sobre o momento atual recua pelo segundo mês consecutivo, influenciado pela piora da percepção sobre a situação financeira atual. Embora existam fatores favoráveis ao consumo, como emprego, renda e o alívio dos preços, os condicionantes negativos - juros altos e endividamento elevado - parecem voltar a dominar o cenário no mês, reduzindo a confiança e aumentando o pessimismo para o futuro", completou.
No detalhamento do IE, o indicador de situação econômica local futura caiu 5,8 pontos, para 102,2 pontos, enquanto o de situação financeira futura das famílias recuou 4,6 pontos, para 87,8 pontos. O único alívio veio do indicador de compras de bens duráveis, que avançou 3,4 pontos, chegando a 85,5 pontos, maior nível desde agosto passado.
No ISA, a percepção sobre a situação econômica local atual subiu 1,4 ponto, para 95,5 pontos, mas a avaliação da situação financeira atual das famílias diminuiu 2,9 pontos, para 70,1 pontos.
A retração da confiança foi mais significativa entre as faixas de renda mais baixas. O ICC das famílias com renda de até R$ 2.100 caiu 3,6 pontos, para 85,8 pontos. Entre aquelas com renda de R$ 2.100,01 a R$ 4.800, a queda foi de 4,6 pontos, para 82,0 pontos. Já no grupo com renda entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600 mensais, houve leve baixa de 0,7 ponto, para 87,4 pontos. Consumidores com renda superior a R$ 9.600 mantiveram a confiança estável, em 94,8 pontos.
A coleta de dados referente à edição de janeiro foi realizada entre os dias 2 e 21 do mês.