GEOPOLÍTICA

EUA ameaçam aliados e priorizam Groenlândia e canal do Panamá em nova estratégia de defesa

Nova diretriz americana endurece postura com aliados, foca interesses estratégicos e reduz apoio à Europa e Coreia do Sul.

Publicado em 26/01/2026 às 12:55
EUA priorizam Groenlândia e canal do Panamá em nova estratégia de defesa, endurecendo postura com aliados. © AP Photo / Mark Schiefelbein

Os Estados Unidos divulgaram uma nova Estratégia de Defesa Nacional que prevê "ação estratégica" contra aliados que contrariem interesses de Washington, priorizando o controle estratégico da Groenlândia e do canal do Panamá, e reduzindo o apoio à Europa e à Coreia do Sul. O documento busca contém a China sem confronto direto.

A estratégia determina que aliados regionais que não seguirem as diretrizes americanas poderão enfrentar respostas firmes, citando a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro como exemplo recente. O texto também destaca a importância estratégica da Groenlândia e do canal do Panamá, além de sinalizar restrições ao suporte tradicional a parceiros europeus e asiáticos.

Assinada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, a nova diretora operacionaliza princípios já presentes na Estratégia de Segurança Nacional. O documento adota o mais isolador, mas mantém a disposição para o uso da força, especialmente no Hemisfério Ocidental.

O texto faz referência ao chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, reforçando que os EUA estão prontos para agir rapidamente e com força, como exemplificado pelo ataque à Venezuela em janeiro. A menção resgata a tradição histórica de disciplinas americanas na região.

A estratégia ressalta a intenção de garantir o acesso militar e comercial a áreas consideradas essenciais, como o canal do Panamá, o golfe do México e a Groenlândia. A disputa pela ilha, pertencente à Dinamarca, já havia provocado tensão entre Washington e aliados da OTAN.

Há também um afastamento dos compromissos tradicionais com a Europa. Segundo o documento, a defesa contra a Rússia passa a ser responsabilidade primária dos países europeus, enquanto os EUA limitam sua presença no continente. A Rússia é tratada como ameaça principalmente em termos nucleares e cibernéticos, embora o Kremlin afirme buscar estabilidade regional.

Nesse contexto, a Ucrânia surge fragilizada, pois dependeria mais do apoio europeu, mesmo utilizando maioritariamente armamento de origem norte-americana no conflito contra a Rússia. Já a Coreia do Sul é mencionada como país que deverá assumir integralmente os seus custos de defesa.

Sobre a China, o documento adota uma postura menos confrontacional do que as versões anteriores, afirmando que o objetivo não é dominar ou humilhar Pequim, mas impedir que qualquer potência possa superar os EUA. Defende-se uma relação baseada em força militar suficiente para negociar em termos detalhados e manter defesas robustas em arquipélagos aliados próximos à China.

A Análise da Folha de S.Paulo aponta contradições entre a retórica da estratégia e a realidade geopolítica, ao sugerir que aliados no Oriente Médio podem conter o Irã enquanto os EUA mobilizam forças na região. A diretriz reafirma uma visão de poder baseada na "Paz pela Força", centrada na defesa dos interesses norte-americanos diante de um cenário internacional em transformação.

Por Sputnik Brasil