DEFESA INTERNACIONAL

Otan ampliará papel no Ártico após acordo sobre a Groenlândia, diz Rutte

Secretário-geral da Otan afirma que aliança assumirá mais responsabilidades na segurança do Ártico e destaca importância da unidade com os EUA.

Publicado em 26/01/2026 às 13:45
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte Reprodução / Agência Brasil

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a aliança militar ampliará sua atuação na segurança do Ártico, impulsionada pelo avanço das negociações de um acordo sobre a Groenlândia com os Estados Unidos.

"Foram estabelecidas duas frentes de trabalho para a segurança da Groenlândia e do Ártico. Uma delas prevê que a Otan assuma mais responsabilidades na região", declarou Rutte, durante sessão da Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu. "Também concordamos em evitar que Rússia e China ampliem seu acesso ao Ártico", completou, ressaltando ainda que a relação entre Europa e Otan "está melhor do que nunca".

Rutte enfatizou que a unidade da aliança militar é fundamental e criticou a ideia de que a Europa poderia se defender sozinha, sem o apoio dos Estados Unidos. Segundo ele, os países europeus teriam de investir até 10% do PIB em defesa para garantir sua segurança, o dobro do projetado atualmente.

"Vladimir Putin adoraria ver uma força de defesa europeia separada dos Estados Unidos", alertou, ao mencionar o presidente russo e a guerra na Ucrânia. Sobre a região da Groenlândia, o secretário-geral frisou que não há relação entre as negociações sobre o território e o conflito ucraniano. "São assuntos distintos", pontuou.

O secretário-geral também destacou que a União Europeia não deve ser "excessivamente restritiva" nas condições do empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia para o biênio 2026-2027, referindo-se à política do bloco de priorizar a aquisição de produtos fabricados em seus próprios países.

"Estou incentivando a União Europeia a garantir flexibilidade para que a Ucrânia utilize o empréstimo na compra de armas", afirmou Rutte.