Hospital Anchieta afirma que conduta de técnico investigado foi intencional e criminosa
Instituição destaca que ação de ex-funcionários foi isolada, à revelia dos protocolos e valores do hospital
O Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, no Distrito Federal, pronunciou-se oficialmente sobre a investigação que envolve três técnicos de enfermagem suspeitos de participação na morte de pacientes na unidade de saúde.
Em nota, a instituição classificou o caso como uma conduta "dolorosa, intencional e isolada", sem qualquer vínculo com os protocolos assistenciais do hospital ou com a atuação dos demais profissionais de saúde. A direção ressaltou ainda que o hospital também se considera vítima do episódio.
De acordo com o comunicado, a conduta dos investigados foi "praticada à revelia do hospital, dos valores da medicina e da assistência em saúde". A defesa dos envolvidos não foi localizada até o momento.
O delegado Wisllei Salomão, responsável pelas investigações, informou que os três ex-técnicos teriam administrado um medicamento inadequado às vítimas, o que teria provocado paradas cardíacas e, consequentemente, as mortes.
Segundo o delegado, um dos técnicos teria se aproveitado de um sistema aberto, logado em nome de médicos, para prescrever o medicamento indevido em pelo menos duas ocasiões. Ele também teria retirado o remédio na farmácia, preparado a substância, escondido a seringa no jaleco e aplicado o conteúdo em três pacientes.
Imagens das câmeras de segurança da UTI registraram o momento em que o principal suspeito teria realizado as aplicações letais.
A instituição enfatizou que segue protocolos de segurança rigorosos, o que permitiu uma ação rápida da polícia e impediu a continuidade de um ciclo que poderia ter causado danos ainda maiores. Mesmo assim, destacou que os suspeitos "dissimularam condutas, burlaram controles e violaram conscientemente barreiras de segurança existentes".
O hospital também informou que, em um dos óbitos, não houve administração de medicamento, mas sim o uso de um produto de higiene, reforçando o caráter intencional e desvinculado da rotina hospitalar.
Após um comitê interno identificar "circunstâncias atípicas" nas mortes ocorridas na UTI, os funcionários foram demitidos e a polícia foi acionada para conduzir as investigações.
Segundo a Polícia Civil, o técnico acusado de aplicar as substâncias letais tem 24 anos, é estudante de fisioterapia e, após a demissão do Anchieta, continuou trabalhando em uma UTI infantil. As duas técnicas presas têm 28 e 22 anos; uma delas já havia atuado em outros hospitais, enquanto a outra estava em seu primeiro emprego na área.
Os três investigados encontram-se presos temporariamente por 30 dias.