MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa faz pausa após sequência de recordes históricos

Índice da B3 recua levemente após atingir máximas inéditas; mercado aguarda decisões de juros do Copom e Fed nesta semana.

Publicado em 26/01/2026 às 18:43
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Descolado do avanço registrado em Nova York, o Ibovespa iniciou a semana em compasso de espera, após uma série de recordes históricos. Na semana passada, o índice renovou marcas tanto no intradia quanto no fechamento, alcançando 166 mil pontos na terça-feira e superando os 180 mil pontos durante a sessão de sexta-feira. Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa operou de forma mais estável, variando entre 177.694,22 e 179.543,03 pontos, após abrir em 178.859,11 pontos.

O volume financeiro permaneceu forte, atingindo R$ 31,2 bilhões. No acumulado de fevereiro, o índice segue com alta de quase 11% (10,92%). Ao final do pregão, registrou leve queda de 0,08%, fechando aos 178.720,68 pontos.

O desempenho do índice foi sustentado pelo avanço das ações da Petrobras (ON +0,34%, PN +0,91%), mesmo diante da queda do petróleo nos mercados internacionais. O setor financeiro apresentou oscilações ao longo do dia, mas se recuperou no fechamento, com destaque para Itaú (PN +1,33%).

Por outro lado, as ações da Vale ON (-2,29%), de maior peso individual no Ibovespa, e o setor metálico recuaram desde o início do pregão, embora ainda acumulem ganhos expressivos no ano — a mineradora soma alta de 15,44%, cotada a R$ 83,07.

Entre as maiores altas do dia estiveram Localiza (+3,59%), WEG (+3,49%) e Cogna (+3,17%). No campo negativo, além de Vale, destacaram-se MBRF (-3,57%) e Cemig (-2,48%). "Após uma semana excepcional, a melhor em cerca de seis anos, o Ibovespa passou por uma realização de lucros, movimento considerado saudável para evitar excessos. O cenário segue positivo, com expectativas para o início da flexibilização da política monetária no Brasil", avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve decidem sobre as taxas de juros. A expectativa é que, no comunicado do Copom, haja sinalização sobre possíveis cortes da Selic, atualmente em 15% ao ano, a partir da próxima reunião em março.

"O Ibovespa está esticado após a sequência de recordes e começa a precificar mais risco no curto prazo, o que induz à realização de lucros. A pausa ocorre em meio a incertezas geopolíticas, mas a Petrobras seguiu em alta, indicando otimismo do mercado com o setor de energia", analisa Gabriel Cecco, da Valor Investimentos.

Para Nícolas Merola, da EQI Research, a semana promete ser decisiva: "Além das decisões de juros no Brasil e nos EUA, a temporada de resultados das empresas americanas ganha força, com destaque para gigantes como Meta e Amazon. O foco estará nos guidances das companhias de tecnologia e inteligência artificial".