MERCADO FINANCEIRO

Dólar atinge menor patamar desde junho de 2024 com enfraquecimento global

Moeda americana recua diante de DXY mais fraco, carry trade atrativo e incertezas nos EUA, mas perde fôlego com queda de commodities.

Publicado em 26/01/2026 às 18:49
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar registrou nesta segunda-feira, 26, sua menor cotação intradia desde junho de 2024, chegando a R$ 5,2612, impulsionado pelo enfraquecimento global da moeda americana e pela atratividade do carry trade. No entanto, o movimento perdeu força no final da tarde, refletindo a queda nos preços das commodities e uma pausa no rali do Ibovespa, o que indica menor fluxo de capital estrangeiro.

No fechamento, o dólar à vista recuou 0,12%, cotado a R$ 5,2797, o menor valor desde 11 de novembro de 2025. Em janeiro, a moeda acumula queda de 3,81%.

Especulações sobre uma possível coordenação entre Estados Unidos e Japão para intervir em apoio ao iene fizeram o índice DXY — que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes — atingir o menor nível em quatro meses. Esse cenário também favoreceu moedas de mercados emergentes. "Caso os EUA participem dessa intervenção para proteger o iene, podem ser prejudicados do ponto de vista fiscal", avalia Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos.

Outro fator de pressão é a possibilidade de nova paralisação do governo americano, caso parlamentares democratas se recusem a aprovar o Orçamento sem alterações em medidas de segurança interna, após incidentes envolvendo a agência ICE. Segundo a plataforma Polymarket, a probabilidade de um novo shutdown saltou de 9% na sexta-feira para 81% nesta segunda-feira.

No cenário geopolítico, o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá devido a negociações com a China. Persistem, ainda, incertezas quanto à escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed).

Em relação ao Fed, o banco central americano decide sobre os juros nesta quarta-feira, assim como o Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil. A expectativa é de que o diferencial de juros brasileiro continue atrativo.

Apesar disso, com o Ibovespa e as cotações do petróleo e do minério de ferro em baixa durante a tarde, o câmbio se afastou das mínimas do dia. "O fluxo para a Bolsa arrefeceu", comenta Fernando Cesar, operador de câmbio da AGK corretora.

Mesmo diante da queda do principal índice da B3, Saadia destaca que investidores globais ainda estão realocando suas carteiras, com maior interesse em empresas fora do setor de tecnologia. "O fluxo que antes ia para as '7 magníficas' agora está sendo direcionado para companhias emergentes", afirma.