EUA sinalizam abertura para diálogo com Irã sob condições específicas
Washington reforça presença militar na região, enquanto Teerã reage a declarações de Trump e acusa influência externa em protestos.
A Casa Branca manifestou disposição para dialogar com o Irã, desde que sob condições já conhecidas por Teerã, segundo informou a agência Reuters nesta segunda-feira (26), citando um funcionário norte-americano que preferiu não se identificar. O clima entre os dois países se agravou nas últimas semanas após o presidente Donald Trump anunciar o envio de navios da Marinha dos Estados Unidos para a região.
"Os Estados Unidos estão abertos ao diálogo se o Irã quiser entrar em contato com Washington", informou a agência.
De acordo com a Reuters, o Irã está ciente das condições impostas pelos EUA para que haja negociações. Além disso, o portal Axios revelou que Trump afirmou, em entrevista concedida nesta segunda-feira, que a situação com o Irã está "em fluxo". O presidente comparou o atual deslocamento militar norte-americano para a costa iraniana ao contingente enviado à Venezuela no ano anterior, destacando que o grupo é ainda maior. "Eles querem fazer um acordo. Eu sei disso. Ligaram em várias ocasiões. Eles querem conversar", declarou Trump.
O presidente norte-americano também revelou que esteve próximo de autorizar ataques contra alvos iranianos no início do mês, mas optou por adiar a decisão enquanto reforçava a presença militar dos EUA no Oriente Médio. Segundo o Axios, fontes próximas ao governo afirmam que Trump ainda não definiu os próximos passos.
A expectativa é de que novas consultas ocorram ao longo da semana, com a apresentação de opções militares adicionais, impulsionadas pela chegada de um grupo de ataque de porta-aviões à região.
Questionado sobre a possibilidade de retirar a opção de intervenção militar, Trump evitou dar uma resposta direta, dizendo apenas que não pode prever o que acontecerá no futuro.
Em resposta às declarações do presidente norte-americano, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã não se limitará a uma retaliação pós-ataque, agindo dentro do que considera "legítima autodefesa".
Em meio ao aumento das tensões, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a recente onda de protestos no país teve participação de "elementos terroristas liderados do exterior", que teriam iniciado ataques armados contra forças policiais e de segurança.
Segundo Araghchi, os episódios de violência não refletem manifestações espontâneas, mas sim uma estratégia externa para intensificar o conflito interno e criar condições para uma possível intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos.
O ministro iraniano enviou um recado direto a Trump, pedindo que Washington priorize a via diplomática em vez do uso da força. Araghchi alertou o presidente norte-americano para não repetir "o mesmo erro cometido em junho", referindo-se ao ataque liderado pelos EUA contra instalações nucleares iranianas no ano anterior.
Os protestos no Irã começaram no final de dezembro de 2025, após a forte desvalorização do rial, moeda local. Diversas cidades do país registraram confrontos entre manifestantes e forças policiais, com vítimas de ambos os lados, e palavras de ordem contra o sistema político iraniano.