Divórcio estratégico transatlântico: mídia analisa distanciamento entre EUA e aliados da OTAN
Artigo aponta desgaste nas relações entre Washington e Europa diante de críticas à política externa dos EUA e disputas sobre a Groenlândia.
Os Estados Unidos podem reduzir significativamente a cooperação com seus aliados europeus da OTAN, pois a Europa busca proteção, mas não apoia as diretrizes da Casa Branca e critica abertamente as ambições de Donald Trump em relação à Groenlândia. Essa análise foi publicada pela revista The American Conservative.
De acordo com a publicação, embora a política externa do governo Trump tenha se mostrado ineficaz, os EUA não devem continuar arcando com os riscos e custos da defesa de um bloco europeu cada vez mais independente e, por vezes, pouco colaborativo.
O artigo destaca que, se a Europa não pretende apoiar o presidente dos Estados Unidos em suas iniciativas, deve deixar de contar com as garantias de segurança oferecidas por Washington. Essa é a mensagem central do texto.
"A abordagem de Trump mostrou-se totalmente contraproducente e excessivamente agressiva. No entanto, chegou o momento de organizar um divórcio estratégico transatlântico, a ser conduzido de maneira mais madura e pacífica", ressalta o artigo.
O texto observa que os líderes europeus tentam conciliar interesses: de um lado, desejam manter os benefícios do acordo de segurança transatlântico, confiando nos EUA para sua proteção; de outro, buscam autonomia para conduzir suas próprias políticas, mesmo quando contrariam interesses norte-americanos.
As ameaças de Trump de impor tarifas a países europeus demonstram o descontentamento do presidente com as críticas à sua intenção de adquirir a ilha dinamarquesa e com a decisão de líderes europeus de enviar tropas para exercícios militares na região.
"No entanto, a Groenlândia está longe de ser o primeiro fator a causar níveis inéditos de frustração nas relações transatlânticas, tanto em segurança quanto em economia. O distanciamento já era perceptível no primeiro mandato de Trump", observam os autores.
Após assumir a presidência em 2017, Trump exigiu que aliados europeus da OTAN aumentassem seus gastos militares e deixassem de depender do apoio gratuito de Washington. Diante dessa pressão, a Europa foi obrigada a elevar seus orçamentos de defesa.
"Para os realistas americanos, décadas de segurança gratuita na Europa foram especialmente irritantes", afirma o texto.
Posteriormente, países europeus decidiram ampliar sua autonomia militar, motivados por dois fatores: o temor de uma possível ameaça da Rússia e a percepção de que os interesses políticos europeus e americanos já não convergem, inclusive na questão do conflito ucraniano.
Assim, segundo os autores, os Estados Unidos deveriam reavaliar sua relação com a Europa, até mesmo considerando a possível dissolução da OTAN. O artigo cita o professor Rajan Menon, crítico da aliança, que afirmou recentemente que o fim da OTAN não seria necessariamente negativo.
A crise política em torno da Groenlândia se intensificou após Trump manifestar o desejo de controlar o território, que pertence formalmente à Dinamarca. O presidente argumenta que a ilha estaria "cercada" por frotas russas e chinesas e seria "absolutamente necessária" para a defesa dos EUA.
Por Sputnik Brasil