ACORDO INTERNACIONAL

UE e Índia ampliam parceria com foco em investimentos e setores estratégicos

Novo tratado vai além da redução tarifária e inclui proteção a investimentos, cadeias de valor e inovação tecnológica.

Publicado em 27/01/2026 às 09:41
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Acordo de Livre Comércio (FTA) firmado entre a União Europeia (UE) e a Índia representa um passo estratégico que ultrapassa a liberalização tarifária agrícola, abrangendo uma agenda mais ampla de investimentos, serviços, cadeias globais de valor e cooperação geopolítica. Segundo comunicado conjunto divulgado após a 16ª Cúpula UE-Índia, o tratado é considerado um marco para aprofundar a parceria econômica em um contexto de incertezas globais e fragmentação do comércio internacional.

Os líderes de ambos os blocos reafirmaram o compromisso com a implementação integral do FTA e aceleraram negociações paralelas para fechar, "o mais cedo possível", um Acordo de Proteção a Investimentos. O objetivo é criar padrões elevados e previsíveis de segurança jurídica, incluindo regras sobre tratamento justo, proteção contra expropriação e mecanismos eficazes de resolução de disputas, estimulando fluxos bilaterais de investimento de longo prazo.

Avança também a negociação de um acordo específico sobre Indicações Geográficas (IGs), que visa assegurar proteção legal a centenas de produtos tradicionais europeus e indianos, como vinhos, destilados, alimentos e especialidades regionais. Para Bruxelas, o reconhecimento de IGs no mercado indiano pode aumentar o valor agregado das exportações e combater práticas de imitação e concorrência desleal.

O pacto comercial está vinculado ainda a esforços conjuntos para diversificar e fortalecer as cadeias de suprimento, reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a cooperação em setores estratégicos. O documento destaca áreas como semicondutores, inteligência artificial (IA), tecnologias digitais, energia limpa, hidrogênio verde e matérias-primas críticas como prioridades para investimentos, inovação e integração produtiva.

De acordo com o comunicado, o FTA deve impulsionar o comércio de bens industriais e serviços, facilitar fluxos de investimento e reforçar a posição da UE e da Índia em cadeias globais de valor, integrando-se a uma estratégia mais ampla de autonomia econômica e coordenação em fóruns multilaterais.