MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua com cenário externo e IPCA-15 abaixo do esperado pressiona juros

Moeda americana acompanha queda internacional, enquanto inflação menor que a prevista e decisões de juros influenciam mercado brasileiro.

Publicado em 27/01/2026 às 09:44
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar opera em leve baixa na manhã desta terça-feira (27), acompanhando o movimento de desvalorização da moeda americana frente a pares desenvolvidos e várias moedas emergentes. O ajuste, no entanto, é limitado pelas quedas do petróleo e do minério de ferro na China.

A expectativa de manutenção das taxas de juros tanto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) quanto pelo Federal Reserve (Fed), cujas reuniões iniciam nesta terça e se encerram na quarta-feira (28), continua favorecendo o carry trade em direção ao Brasil, beneficiando o real.

No cenário internacional, investidores seguem atentos à imprevisibilidade associada ao presidente americano Donald Trump, ao risco de novo shutdown nos Estados Unidos a partir de sábado, à inflação disseminada e ao inverno rigoroso, que elevou o preço do gás natural acima de US$ 6 pela primeira vez desde 2022. Também há forte expectativa quanto ao anúncio do nome indicado por Trump para comandar o Fed, após a saída de Jerome Powell prevista para maio.

No mercado local, os juros futuros apresentam oscilações próximas aos ajustes anteriores, refletindo o IPCA-15 abaixo das medianas do mercado e uma leve alta nos rendimentos dos Treasuries intermediários e longos.

De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, desacelerando frente à alta de 0,25% registrada em dezembro e ficando abaixo da mediana das projeções do mercado, de 0,23%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,50%, dentro do intervalo previsto, mas levemente abaixo da mediana de 4,52%.

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou a alta para 0,63% em janeiro, após avançar 0,21% em dezembro. Com esse desempenho, o índice acumula valorização de 6,01% nos últimos 12 meses.

Já o Índice de Confiança da Construção (ICST) registrou elevação de 2,8 pontos em janeiro, atingindo 94,0 pontos — o maior patamar desde março de 2025 — após recuar 1,2 ponto em dezembro, segundo a FGV.

No exterior, o acordo de livre comércio entre União Europeia e Índia, anunciado nesta terça-feira, vai além das tarifas agrícolas e amplia o foco para investimentos, serviços, cadeias globais de valor e cooperação geopolítica, sendo considerado um marco estratégico em meio ao cenário de incerteza e fragmentação do comércio global.