DECISÃO JUDICIAL

Justiça autoriza transferência de Sérgio Nahas da Bahia para São Paulo

Empresário, condenado pelo assassinato da esposa em 2002, será transferido após pedido da Polícia Civil paulista.

Publicado em 27/01/2026 às 10:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça acatou um pedido da Polícia Civil de São Paulo e autorizou, na segunda-feira (26), a transferência do empresário Sérgio Nahas da Bahia, onde está preso desde 17 de janeiro, para São Paulo.

Nahas foi condenado em 2021 pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em 2002, no apartamento do casal em Higienópolis, região central da capital paulista. Procurada para comentar a transferência, a defesa do empresário não respondeu às tentativas de contato da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Na semana passada, a advogada Adriana Machado Abreu, representante de Nahas, declarou que ele residia na Bahia desde o ano passado e destacou que é uma "pessoa íntegra, idosa, com graves problemas de saúde e sem intenção de permanecer foragido".

A solicitação de transferência foi realizada pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na decisão, o juiz Helio Narvaez considerou que Nahas foi condenado definitivamente por um crime praticado em São Paulo, o que justifica a transferência para o estado.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), equipes do DHPP irão à Bahia nos próximos dias para buscar o empresário. Até o momento, não há informação sobre a unidade prisional para onde ele será levado.

O caso

Em 2002, Fernanda e Nahas passaram a lua de mel na Praia do Forte, em Mata de São João, a cerca de 60 quilômetros de Salvador. Seis meses depois, Fernanda pediu o divórcio e foi morta com um tiro no peito.

De acordo com a investigação, a vítima havia confrontado o marido sobre o uso abusivo de cocaína e a existência de um relacionamento extraconjugal.

A defesa de Nahas sustentou que Fernanda sofria de depressão severa e teria tirado a própria vida, versão que nunca foi aceita pela família da vítima. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) defendeu a condenação por homicídio qualificado.

Após uma série de recursos, o empresário só foi condenado 16 anos após o crime. Em 2018, um júri popular o sentenciou a sete anos de prisão em regime semiaberto, por homicídio simples. O MP-SP recorreu e a pena foi aumentada para 8 anos e 2 meses.

Nahas respondeu ao processo em liberdade até o esgotamento de todas as instâncias. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a pena e determinou o cumprimento imediato em regime fechado.

O mandado de prisão foi expedido em junho do ano passado, quando Nahas também passou a integrar a Difusão Vermelha da Interpol. Apesar disso, ele só foi preso recentemente, após ser identificado por câmeras de monitoramento e reconhecimento facial na Praia do Forte. Policiais confirmaram sua identidade e o localizaram em um condomínio na mesma região.