REPERCUSSÃO POLÍTICA

José Guimarães descarta impacto do escândalo do Banco Master no governo Lula

Líder do governo na Câmara afirma que investigações são responsabilidade do Banco Central e da Polícia Federal e rejeita instalação de CPI

Publicado em 27/01/2026 às 13:40
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), afirmou que não vê possibilidade de o escândalo envolvendo o Banco Master afetar o governo federal ou comprometer, segundo ele, o "bom momento" vivido pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste período pré-eleitoral. A declaração foi dada durante entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (27).

Questionado sobre a possibilidade de o caso respingar no governo, Guimarães respondeu: "Não, porque não é uma questão de governo. Como tem dito o presidente Lula, é uma questão que cabe ao Banco Central, que está conduzindo as tratativas na suspensão das atividades do Banco Master, e à Polícia Federal. Não é uma ação de governo", afirmou.

O parlamentar destacou ainda que o governo deve seguir com sua agenda econômica e social. "(O caso do Banco Master) pode atingir outras esferas da República, mas acho muito difícil essa operação, o que o Banco Central está fazendo e, sobretudo, a Polícia Federal está fazendo nas apurações, possa atingir o governo. Muito pelo contrário", acrescentou.

Guimarães também elogiou a atuação da Polícia Federal, que, segundo ele, tornou-se uma "instituição autônoma" e vem executando seu trabalho "sem pedir autorização" ao governo. "Portanto, eu não acho que esse fato interdite este bom momento que o governo está vivendo do ponto de vista daquilo que nós estamos entregando no período pré-eleitoral", completou.

Contrário à CPI

O líder do governo na Câmara reiterou ser contrário à eventual instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo do Banco Master e afirmou que, se depender de sua atuação, não haverá a formação do colegiado.

"Eu tenho uma opinião política que vem desde o primeiro momento em que assumi a liderança do governo da presidenta Dilma (Rousseff) aqui na Câmara. Quem é governo, CPI nunca é bom. CPI, você sabe como começa, mas não sabe como termina", declarou Guimarães.

Ele ressaltou que a CPI só deveria ser instaurada caso os órgãos de investigação não estivessem cumprindo seu papel. "Se o governo estivesse atuando para acobertar qualquer delito ou erro de personalidades do governo, enfim, que tenham tido alguma relação com o Banco Master, a Polícia Federal não estava fazendo o trabalho que está fazendo. A Polícia Federal está sendo implacável", afirmou.

Guimarães também informou que pretende conversar com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para expor sua visão de que a CPI não interessa ao governo. "CPI é discurso da oposição, é palanque da oposição. É claro que nós não podemos banalizar o instituto das CPIs, mas elas precisam ocorrer diante de uma lógica", argumentou.

Por fim, o parlamentar acrescentou: "Portanto, eu tenho uma opinião. Se depender de mim, não terá CPMI ou CPI, porque não é um assunto de governo". Apesar disso, ponderou que não atuará necessariamente contra a instalação da comissão. "Eu não acho conveniente (a CPI), mas isso não significa que nós vamos atuar, agir no sentido da não instalação. Nós vamos dialogar", concluiu.