DIREITOS HUMANOS

Ato no Rio pede justiça pela morte de Thiago Menezes Flausino

Familiares e entidades cobram julgamento justo para PMs acusados de homicídio e fraude processual

Publicado em 27/01/2026 às 14:06
Manifestantes cobram justiça pela morte de Thiago Menezes Flausino em ato no Tribunal de Justiça do Rio.

Manifestantes se reuniram na manhã desta terça-feira (27) em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para pedir justiça pelo assassinato do estudante Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, ocorrido em 7 de agosto de 2023. Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria respondem por homicídio e fraude processual e começam a ser julgados hoje por um júri popular.

Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago, afirmou que o sonho do filho era ser jogador de futebol profissional. Thiago deixou pai, mãe e três irmãs. "É um momento muito difícil para a família porque nada vai trazer ele de volta, mas é o mínimo que a justiça seja feita. Eles tentaram incriminar o Thiago, mas quem cometeu o crime foram eles e agora vão sentar no banco dos réus", disse a mãe.

O adolescente foi morto enquanto estava na garupa de uma motocicleta na principal via de acesso à Cidade de Deus. Thiago foi atingido por três disparos de arma de fogo. Ele não portava arma e não havia confronto no momento em que foi baleado.

Os PMs admitiram em depoimento terem efetuado os disparos contra Thiago. Eles também respondem por fraude processual, já que teriam tentado implantar uma arma na cena do crime para justificar a versão de confronto.

Inicialmente, quatro policiais militares foram identificados e presos por envolvimento na morte de Thiago. Em junho de 2025, o Tribunal de Justiça determinou a soltura de dois deles, ao considerar que não participaram diretamente do homicídio.

A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, acompanha a família de Thiago desde o crime. "Foi uma grave violação de direitos humanos em que tudo foi feito errado. Errado suspeitar, julgar e matar instantaneamente um menino de 13 anos. Nossa expectativa é que o Tribunal do Júri faça justiça. Já está demorando demais. Enquanto demora, é injustiça", afirmou Jurema.