EUA: preços do gás natural caem após realização de lucros e sinais de retomada da produção
Após forte alta provocada por onda de frio, valores recuam com perspectivas de normalização da oferta e menor demanda.
Os contratos futuros de gás natural nos Estados Unidos registram queda nesta terça-feira, refletindo um movimento de realização de lucros após a forte valorização da véspera. O avanço dos preços na segunda-feira, 26, foi impulsionado por temores de restrição na oferta devido a uma intensa onda de frio no país. Agora, o mercado reage a sinais de recuperação gradual da produção e a indícios de arrefecimento da demanda em algumas regiões.
Por volta das 14h20 (horário de Brasília), os contratos futuros para entrega em fevereiro recuavam 7,19%, cotados a US$ 6,28 por milhão de unidades térmicas britânicas. O contrato, que vence nesta quarta-feira, 28, permanece nos maiores patamares desde 2014. Já o contrato mais negociado, para março, caía 2,03%, a US$ 3,819 por milhão de unidades térmicas britânicas.
Dados recentes mostram que a produção de gás natural dos EUA atingiu mínimas de dois anos no domingo (25) e na segunda-feira, após uma frente ártica congelar poços e dutos em estados como Louisiana, Texas e Dakota do Norte. Analistas do ING estimam que a tempestade tenha afetado cerca de 11% da produção nacional. No entanto, há indícios de normalização: apenas na Bacia do Permiano, a produção teria avançado aproximadamente 11% em base diária ontem, segundo o banco.
Com esse cenário, os contratos futuros ampliaram as perdas e chegaram a cair cerca de 15% pela manhã, refletindo também a redução da demanda por aquecimento na região central do país, já que o pior da tempestade se deslocou para o Nordeste dos EUA. O ING avalia que, caso a retomada da produção se confirme, é possível que os preços do gás natural americano tenham atingido um pico no curto prazo.
O banco destaca ainda que as interrupções na oferta continuam relevantes para o mercado europeu, pois as plantas de liquefação dos EUA reduziram significativamente a captação de gás — queda estimada em cerca de 48% —, o que limita as exportações de gás natural liquefeito (GNL). Na Europa, os estoques permanecem abaixo de 45% da capacidade, com risco de encerrar a temporada de aquecimento 2025/26 abaixo de 25%.