INVESTIGAÇÃO FEDERAL

PF cancela depoimentos de ex-sócios do Banco Master após decisão de silêncio das defesas

Depoimentos de Augusto Lima, Ângelo Ribeiro e Robério Mangueira foram desmarcados após advogados alegarem falta de acesso às provas.

Publicado em 27/01/2026 às 16:38
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal cancelou os depoimentos dos ex-sócios do Banco Master, Augusto Lima e Ângelo Ribeiro, após as defesas informarem que ambos permaneceriam em silêncio, alegando não terem tido acesso ao teor integral das investigações. Pelo mesmo motivo, também foi desmarcado o depoimento de Robério Mangueira, ex-superintendente de operações financeiras do Banco Regional de Brasília (BRB).

Com as dispensas, apenas o ex-diretor de compliance do Master, Luiz Antônio Bull, compareceu e prestou depoimento nesta terça-feira, 27. Ele respondeu às perguntas dos investigadores e se colocou à disposição para novos esclarecimentos. O conteúdo do depoimento permanece sob sigilo.

Esta terça-feira marcou o último dia da rodada de oitivas agendadas pela PF para aprofundar a investigação sobre possíveis irregularidades na venda do Banco Master ao BRB e na negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado supostamente falsificadas.

O depoimento de Augusto Lima era considerado chave para os investigadores, pois as operações das carteiras de crédito consignado envolveram documentos de duas associações de servidores do governo da Bahia, criadas pelo empresário. Ele era o responsável pelo setor de crédito consignado na folha dos servidores, área que impulsionou o Banco Master, e mantém proximidade com políticos do PT da Bahia.

Na segunda-feira, apenas o ex-diretor de Finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, respondeu às perguntas da equipe de investigação.

Outros três investigados optaram pelo silêncio. Entre eles, o ex-superintendente de Tesouraria do Master, Alberto Felix de Oliveira, que fez uma declaração inicial afirmando não ter autonomia para elaborar contratos e não ter sido responsável pela venda das carteiras de crédito consignado ao BRB, mas preferiu não responder aos questionamentos da PF.

Os advogados dos investigados solicitaram a dispensa dos depoimentos, argumentando que ainda não tiveram acesso às provas reunidas na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro. Entre os materiais estão extrações de dados de celulares e documentos apreendidos.

Diante do anúncio de silêncio, a própria Polícia Federal optou por dispensar os depoentes. Os investigadores ainda avaliam se remarcarão essas oitivas antes de concluir a apuração.