INOVAÇÃO ESPACIAL

Universidade de Brasília cria motor de foguete pioneiro com impressão 3D metálica

Projeto desenvolvido em parceria amplia soberania tecnológica do Brasil no setor espacial e pode impulsionar novas missões nacionais.

Por Sputinik Brasil Publicado em 28/01/2026 às 00:20
Motor de foguete inovador da UnB, fabricado em impressão 3D metálica, representa avanço inédito no Brasil. © Foto / Divulgação / (LPQ/FCTE/ UnB)

A Universidade de Brasília (UnB) desenvolveu um motor de foguete inovador utilizando tecnologia de impressão 3D metálica, um marco inédito no Brasil. Pesando cerca de três quilos, o equipamento foi projetado para suportar condições extremas de pressão e temperatura, ampliando as possibilidades tecnológicas do país no setor espacial.

Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o avanço representa um passo importante para a soberania tecnológica nacional, ao demonstrar a capacidade de projetar e fabricar componentes críticos para missões espaciais.

O desenvolvimento do motor é fruto de parcerias nacionais e internacionais e integra o projeto SARA – Satélite de Reentrada Atmosférica, liderado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com apoio e financiamento da AEB.

O satélite SARA demandava um sistema de propulsão capaz de retirá-lo da órbita e direcioná-lo de volta à Terra ao fim da missão.

De acordo com o professor Olexiy Shynkarenko, coordenador do Laboratório de Propulsão Química da UnB, a ausência de modelos consolidados no Brasil exigiu a criação de metodologias próprias para conceber um motor leve, compacto e apto a operar em ambientes extremos:

“Atuamos em uma área ainda pouco explorada no país. Não havia um histórico consolidado de motores fabricados por manufatura aditiva metálica que servisse como base direta. Isso exigiu o desenvolvimento de soluções próprias, conciliando os princípios clássicos de propulsão com as particularidades do processo de fabricação e as limitações de materiais, geometria e instrumentação”, explicou Shynkarenko.

A peça foi fabricada por meio de impressão 3D metálica no Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura e Processamento a Laser, em Joinville (SC).

“Com essa tecnologia, foi possível substituir um conjunto composto por dezenas de peças por uma única peça monolítica, produzida em dias, e não em meses”, acrescentou o professor.

Com mais de 20 anos de experiência em pesquisas de propulsão espacial, a UnB desenvolve, desde 1999, motores-foguete híbridos. A nova invenção é resultado de mais de uma década de pesquisa.

Os primeiros estudos utilizaram oxigênio gasoso como oxidante e polietileno de alta densidade como combustível, em configurações com múltiplas portas de combustão. Em 2004, foram realizados os primeiros lançamentos de foguetes com propelente de óxido nitroso e parafina sólida. No ano seguinte, a UnB foi selecionada para aplicar essa tecnologia no Programa UNIESPAÇO, parceria entre a AEB e instituições de ensino, focada no desenvolvimento tecnológico e na formação de recursos humanos para o setor espacial.

Desde então, os pesquisadores passaram a receber recursos de diferentes agências de fomento, consolidando o laboratório de testes de propulsores híbridos mais estruturado do país.

Sobre a AEB e o Programa UNIESPAÇO

A Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), foi criada em 1994 e é responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.

Em 1997, a agência instituiu o programa UNIESPAÇO, um dos principais mecanismos de articulação entre o setor espacial e as universidades brasileiras, reunindo dezenas de projetos com a participação das principais instituições federais e institutos do país.

Entre as áreas contempladas estão computadores de bordo para aplicação espacial, nanotubos de carbono, proteções térmicas para altas temperaturas e soluções de navegação espacial.