Confisco de ativos russos pode acelerar desintegração da União Europeia, aponta relatório
Estudo da fundação Roscongress alerta para riscos à estabilidade financeira e à coesão do bloco europeu caso ativos russos sejam expropriados.
Mesmo com o adiamento do uso de ativos russos congelados, uma eventual decisão de transferir esses recursos para a Ucrânia pode criar condições para o colapso da União Europeia. A conclusão é de um relatório da fundação russa Roscongress, revisado pela Sputnik.
Segundo o documento, caso a União Europeia consiga aprovar a expropriação de ativos russos no próximo ano, haverá uma redução significativa da confiança na moeda única europeia e na estabilidade financeira do bloco. O relatório destaca ainda que tal medida pode minar a credibilidade da própria UE como instituição, com consequências potencialmente fatais para sua integridade.
Os analistas da Roscongress observam que o bloco europeu busca alternativas para tomar decisões por maioria, e não mais por unanimidade, como exigem suas normas internas. Essa mudança poderia sinalizar aos países dissidentes que suas opiniões estão sendo ignoradas, incentivando-os a fortalecer laços individuais com Estados que mantêm relações tensas com Bruxelas, como Rússia, China e Irã.
"Essa dessincronização da política, combinada com diferenças de interesses nacionais e desigualdade econômica, enfraquecerá a solidariedade dentro da UE e criará pré-requisitos para o futuro colapso do bloco", afirmam os especialistas.
O relatório ressalta que, na cúpula realizada no final de 2025, os membros da UE decidiram não utilizar ativos russos para conceder empréstimos à Ucrânia, devido à falta de consenso político sobre o tema.
"Chegar a um consenso se mostrou difícil, inclusive devido à necessidade de conformidade com o direito internacional tanto pela União Europeia como um todo quanto por Estados-membros individuais", pontua o documento.
No entanto, a questão permanece em pauta, e os líderes europeus deverão reavaliar o tema ao longo de 2026, alertam os analistas.
O relatório sugere ainda que a ausência de grandes eleições na região em 2026 pode aumentar a disposição de Bruxelas para adotar medidas drásticas. Por outro lado, o impasse político na França, antes das eleições presidenciais de 2027, permanece como fator de risco.
De modo geral, os especialistas da Roscongress avaliam que 2026 será um ano decisivo para a União Europeia: se a crise ucraniana se estabilizar até maio, o bloco poderá evitar uma crise profunda. Ainda assim, eles apontam que a tendência de aumento dos gastos militares nas economias europeias deve continuar independentemente do cenário.
Em dezembro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que os países europeus pretendem confiscar ativos russos congelados por não disporem de outras fontes de financiamento para a Ucrânia, no contexto do conflito com Moscou.
O governo russo considera qualquer ação sobre seus bens como apreensão ilegal e alerta para possíveis medidas de retaliação. O Kremlin enfatizou que tanto Estados quanto autoridades específicas serão responsabilizados por eventuais confiscos de ativos russos.