Juiz impede deportação de menino equatoriano de 5 anos e seu pai detidos em Minnesota
Decisão judicial suspende deportação enquanto processo segue em andamento; caso acirra debate sobre política migratória sob governo Trump.
Um juiz federal dos Estados Unidos emitiu uma ordem temporária proibindo a deportação de um menino equatoriano de 5 anos e de seu pai, detidos na semana passada em Minnesota. O caso intensificou ainda mais as divisões em torno da política de imigração sob o governo de Donald Trump.
O juiz Fred Biery determinou na segunda-feira, 26, que qualquer deportação ou transferência de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias, está suspensa enquanto o processo judicial estiver em andamento.
O pedido de libertação dos dois foi protocolado no sábado, 24, enquanto dezenas de famílias imigrantes protestavam em frente ao centro de detenção familiar onde pai e filho permanecem, em Dilley, Texas, próximo a San Antonio.
Uma imagem do menino usando um gorro e uma mochila do Homem-Aranha circulou amplamente nas redes sociais, gerando forte comoção pública.
"Ele se tornou um símbolo da monstruosidade do sistema do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e do sistema de detenção", afirmou o deputado federal Joaquin Castro em vídeo publicado no Facebook. Castro anunciou que, ao lado da também deputada democrata do Texas, Jasmine Crockett, visitará o pai e o filho nesta quarta-feira, 28, no Centro de Detenção de Dilley.
Castro classificou como "desumano" manter crianças pequenas em tais condições. Defensores dos direitos humanos denunciam que o centro enfrenta problemas recorrentes de doenças e acesso insuficiente a serviços médicos.
Pai e filho foram detidos em frente à residência da família em Minnesota. Vizinhos e funcionários da escola alegam que agentes federais de imigração usaram a criança como "isca", orientando-a a bater à porta para que a mãe atendesse.
O Departamento de Segurança Interna negou essa versão, chamando-a de "mentira descarada". Segundo o órgão, o pai teria fugido a pé, deixando o menino sozinho em um veículo ligado na entrada da garagem.
A advogada de Ramos, Jennifer Scarborough, não respondeu a pedidos de comentário. O Departamento de Segurança Interna reafirmou sua versão dos fatos e declarou não ter prendido ou visado a criança, sem comentar a decisão judicial.
Autoridades federais afirmam que o pai está nos EUA de forma irregular, sem detalhar o caso. Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, declarou que o homem entrou no país em dezembro de 2024. A defesa da família, por outro lado, informa que ele possui um pedido de asilo pendente, o que lhe garantiria direito de permanência.
Documento online do processo mostra que o caso foi aberto em 17 de dezembro de 2024 e tramita no tribunal de imigração do centro de detenção de Dilley.
O status imigratório da criança pode ser determinante: não está claro se o menino de 5 anos estava legalmente nos EUA. Caso contrário, ele pode ser deportado junto ao pai ou à mãe. (Fonte: Associated Press)
Conteúdo traduzido com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão.