ANÁLISE INTERNACIONAL

O que está motivando a postura agressiva dos EUA em relação ao Irã?

Especialista aponta busca dos EUA por hegemonia econômica diante da ascensão chinesa e alerta para riscos regionais de um conflito com o Irã.

Publicado em 28/01/2026 às 10:14
Tensão entre EUA e Irã reflete disputa por hegemonia econômica e riscos de conflito regional. © AP Photo / Ebrahim Noroozi

Segundo o analista libanês Djihad Saad, a recente escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã está diretamente relacionada à tentativa norte-americana de recuperar sua hegemonia econômica diante do avanço da China.

Em entrevista à Sputnik, Saad afirma que Washington só adota posturas agressivas quando calcula ter vitória garantida, e alerta que qualquer ataque ao Irã pode fortalecer o regime de Teerã e provocar instabilidade em toda a região.

"Os EUA estão consumidos por um apetite insaciável por maior domínio econômico, e é por isso que estão usando todas as suas capacidades para restaurar o equilíbrio em sua economia, controlando os recursos de outros países", analisa Saad.

O especialista acrescenta que os Estados Unidos normalmente "não iniciam uma guerra a menos que tenham uma vitória preventiva garantida, e se os cálculos indicarem o sucesso de um ataque, eles podem realizá-lo".

Saad descarta a possibilidade de um ataque direto dos EUA ao Irã por diversos motivos, entre eles o fato de que "qualquer ataque que não ajude a derrubar o regime iraniano só o fortalecerá". Além disso, ele ressalta que "qualquer ataque contra o Irã poderia desencadear um conflito em toda a região".

"Não se trata apenas do Irã. Visa também enviar sinais à China e à Rússia, bem como afirmar o controle sobre a exploração de recursos na região árabe e islâmica. A presença militar dos EUA abre caminho para a criação de mais bases e para a garantia de interesses econômicos", conclui Saad.

Por Sputnik Brasil