OTAN não tem mecanismos para se opor aos EUA sobre Groenlândia, afirma Zakharova
Diplomacia russa aponta que aliança militar não prevê disputas internas entre membros e cita interesse dos EUA na ilha.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não possui mecanismos para agir caso os Estados Unidos tentem anexar a Groenlândia, já que a aliança não estabelece procedimentos para resolver disputas entre seus próprios membros. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (28) por Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Zakharova criticou o que chamou de "pânico" dentro da OTAN e lembrou que o ex-presidente norte-americano Donald Trump já defendeu publicamente a incorporação da ilha ao território dos EUA, sob alegação de importância estratégica.
A suposta ameaça vinda da China e da Rússia "é uma história completamente inventada. Há pânico dentro da aliança [...]. E onde eles podem apresentar uma queixa? Eles foram condicionados, suas legislações nacionais foram estruturadas de tal forma que as queixas só podem ser feitas dentro da OTAN contra aqueles que estão fora da OTAN. E não há nenhuma cláusula sobre como reclamar de membros da OTAN", declarou Zakharova à Sputnik.
A porta-voz citou ainda a Carta da OTAN, que determina que eventuais questões entre Estados-membros devem ser tratadas coletivamente, sem previsão de sanções ou reações em caso de ameaças internas.
"Não há qualquer menção de que seja permitido, ou mesmo admissível, que um país-membro da OTAN ameace ou use a força contra outro. Ou seja, isso não está previsto em lugar nenhum. Ninguém incluiu isso nos mecanismos da OTAN e, consequentemente, não há opções para agir", reforçou Zakharova.
Atualmente, a Groenlândia integra o reino da Dinamarca. No entanto, durante seu mandato, Donald Trump reiterou que a ilha deveria ser incorporada aos Estados Unidos, destacando seu valor estratégico para a segurança nacional. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas já advertiram Washington contra qualquer tentativa de anexação, enfatizando a expectativa de respeito à integridade territorial da região.