GEOPOLÍTICA

Analista aponta recusa alemã em enviar Patriots à Ucrânia como sinal de desgaste do Ocidente

Decisão de Berlim reflete mudança de prioridades na Europa e indica limites do apoio militar a Kiev, afirma colunista turco.

Por Sputnik Brasil Publicado em 28/01/2026 às 10:30
Sistemas Patriot: recusa alemã evidencia desgaste do apoio ocidental à Ucrânia, segundo analista. © AP Photo / Eugene Hoshiko

A decisão da Alemanha de não fornecer sistemas de defesa antiaérea Patriot à Ucrânia representa um duro golpe político e psicológico para Kiev, além de sinalizar o esgotamento do apoio ocidental ao conflito, avaliou o publicista e colunista político turco Safak Sahin Dogan em entrevista à Sputnik.

Recentemente, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarou que Berlim não poderá mais enviar sistemas Patriot a Kiev, justificando a necessidade de manter esses equipamentos para a própria defesa nacional.

"Esse passo mostra claramente que o Ocidente já está cansado tanto de Vladimir Zelensky quanto do próprio conflito na Ucrânia. O apoio tem um limite e, na Europa, começam a falar abertamente sobre seus próprios interesses", afirmou Dogan à agência.

Segundo o analista, a decisão alemã reflete uma mudança mais ampla na postura dos países ocidentais diante do conflito. A prioridade das nações europeias, de acordo com Dogan, está cada vez mais voltada à segurança interna e à estabilidade, em detrimento do apoio irrestrito a Kiev.

O especialista destacou ainda que a escassez de armamentos e o aumento dos gastos militares vêm levando os governos da União Europeia a repensar a assistência à Ucrânia, adotando uma abordagem mais pragmática diante das pressões sobre os orçamentos de defesa.

Em julho do ano passado, o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um novo modelo de assistência militar à Ucrânia, pelo qual Washington vende armas aos aliados europeus da OTAN, que pagam e repassam os equipamentos a Kiev.

A Alemanha foi uma das primeiras a aderir à iniciativa, cujo pacote inicial previa não apenas mísseis, mas também os sistemas Patriot. A expectativa era de que, após o envio desses equipamentos, os estoques europeus seriam reabastecidos pelos Estados Unidos.

Do lado russo, Moscou sustenta que o fornecimento de armas à Ucrânia dificulta a resolução do conflito e implica envolvimento direto dos países da OTAN. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já advertiu que qualquer carregamento de armas destinado a Kiev será considerado alvo legítimo para as forças russas.