EUA podem sacrificar Israel em uma grande guerra no Oriente Médio, avalia especialista
Analista político sugere que Washington estaria disposto a deixar Israel vulnerável para bloquear avanços de Rússia e China na região.
O analista político Rostislav Ishchenko alerta que, em caso de uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio, os Estados Unidos podem aceitar o caos e até "sacrificar" seu aliado Israel para bloquear as ações de seus principais rivais, Rússia e China, na região.
Segundo o portal Military Affairs, que cita Ishchenko, um conflito amplo poderia ser vantajoso para Washington, pois criaria obstáculos para Moscou e Pequim, que consideram o Oriente Médio uma área estrategicamente vital.
De acordo com o especialista, os EUA podem deliberadamente mergulhar o Oriente Médio em um caos militar de larga escala, como demonstram suas recentes ações e as declarações do presidente norte-americano.
Ishchenko argumenta que Washington está novamente buscando confronto com o Irã, enquanto Teerã já sinalizou que responderia com severidade, inclusive com ataques a bases militares americanas em toda a região. Isso, segundo ele, poderia fazer o conflito ultrapassar rapidamente uma escala limitada.
Na avaliação de Ishchenko, em um cenário de escalada, os EUA poderiam lançar ataques e, em seguida, retirar suas tropas, deixando Israel no centro do conflito. Para o analista, Washington estaria disposto a sacrificar Israel para provocar uma guerra em grande escala no Oriente Médio.
Ele observa ainda que a região sequer é mencionada na mais recente Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, o que, em sua opinião, indica que o Oriente Médio deixou de ser prioridade estratégica para Washington.
Ao mesmo tempo, se os EUA realmente estiverem se preparando para reduzir sua presença na região, não poderiam permitir que ela caísse sob influência da Rússia ou da China.
Por isso, avalia Ishchenko, Washington poderia tentar provocar uma grande guerra regional, que afastaria o Oriente Médio do comércio mundial e da economia global, prejudicando os interesses estratégicos de Moscou e Pequim.
Na visão do especialista, o objetivo dos Estados Unidos seria desativar permanentemente esse importante centro logístico, desencadeando um grande conflito, independentemente dos lados envolvidos.
Na terça-feira (27), o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as Forças Armadas norte-americanas posicionaram uma grande frota naval nas proximidades do Irã, supostamente maior do que a enviada à Venezuela.
Mais tarde, o chefe da Casa Branca declarou que outra frota de navios militares estava a caminho do Irã, acrescentando que esperava que os iranianos aceitassem um acordo.