Europa deixa de ser prioridade para Washington, alerta chefe da diplomacia da UE
Kaja Kallas afirma que União Europeia precisa fortalecer sua defesa diante da mudança estrutural nas prioridades dos EUA.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta quarta-feira (28) que a Europa deixou de ser o "centro de gravidade" de Washington, à medida que os Estados Unidos reorientam de forma permanente suas prioridades globais.
Durante a conferência anual da Agência Europeia de Defesa, Kallas destacou que a mudança no foco norte-americano já está em curso há algum tempo e possui caráter estrutural. Segundo ela, a Europa precisa se adaptar a este novo cenário e fortalecer seu próprio pilar de defesa, diante da crescente dependência do apoio dos EUA.
"A maior mudança nesta reorientação fundamental está a acontecer do outro lado do Atlântico. Uma reconsideração que abalou as bases da relação transatlântica. Queremos laços transatlânticos fortes, os EUA continuarão a ser parceiros e aliados da Europa, mas a Europa precisa se adaptar às novas realidades. A Europa já não é o principal centro de gravidade de Washington", afirmou Kallas.
Ela ressaltou ainda que, diante desse contexto, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) precisa "tornar-se mais europeia para manter a sua força".
"Em resumo, precisamos sincronizar nossos esforços com a OTAN para nos complementarmos e demonstrar como um pilar europeu distinto agrega valor por meio de uma maior partilha de responsabilidades e fortalecimento militar em nosso continente", acrescentou Kallas.
Kallas enfatizou que as iniciativas de segurança e defesa da União Europeia devem ser complementares à OTAN.
No início da semana, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, alertou parlamentares europeus sobre a importância do apoio dos Estados Unidos à defesa do continente, destacando o papel do "guarda-chuva nuclear" norte-americano para a Europa.
O ex-presidente norte-americano Donald Trump já havia criticado a Europa por não investir o suficiente em sua própria defesa, exigindo que os aliados aumentassem os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho, durante a cúpula da OTAN em Haia, os países-membros concordaram em elevar a meta de gastos para 3,5%, destinando ainda 1,5% a áreas como segurança cibernética e infraestrutura essencial.