ANÁLISE ECONÔMICA

Fitch mantém perspectiva neutra para crédito na América Latina em 2026

Agência aponta resiliência macrofinanceira e destaca riscos vindos de políticas dos EUA e ciclo eleitoral intenso

Publicado em 28/01/2026 às 11:45
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A agência de classificação de riscos Fitch Ratings manteve uma perspectiva de crédito neutra para a América Latina em 2026, prevendo que os principais indicadores de desempenho dos ativos devem permanecer, em sua maioria, inalterados em relação a 2025. Apesar desse cenário, a agência alerta para incertezas decorrentes da evolução das políticas dos Estados Unidos e de um ciclo eleitoral intenso, fatores que elevam os riscos para o setor corporativo.

"A resiliência macrofinanceira da América Latina à política dos Estados Unidos tem sido um contraste notável com o passado. No entanto, a política norte-americana, especialmente no que diz respeito a tarifas e comércio, permanece uma incerteza significativa", destaca trecho do relatório da Fitch.

Segundo a agência, a resiliência do crédito na região será sustentada por condições econômicas suficientes para apoiar a maioria dos setores. Para os bancos, a expectativa é de crescimento moderado do crédito, capital sólido e liquidez abundante.

As instituições financeiras não bancárias apresentam liquidez relativamente bem gerenciada, com a maioria das perspectivas classificadas como "neutras" devido a taxas de política mais baixas, que devem aliviar os custos de financiamento. A Fitch também ressalta que a inflação moderada e taxas menores tendem a beneficiar as seguradoras da região.

Outro ponto destacado é que as previsões de crescimento moderado para o Produto Interno Bruto (PIB) refletem, em parte, os efeitos secundários das tarifas dos Estados Unidos em 2025, especialmente para o México, onde a tarifa efetiva norte-americana deve subir para 5,8%, partindo de praticamente zero.

Em razão desse cenário, a agência atribuiu perspectivas de deterioração para bancos, seguradoras, empresas de financiamento e leasing, além de sub-setores de financiamento estruturado no México.

"O desafiador ambiente político e regulatório do México, associado à revisão pendente do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (USMCA), aumentou os riscos e incertezas em vários setores", aponta o relatório.

Sobre o intenso calendário eleitoral na região, a Fitch observa que ele pode impactar a consolidação fiscal, reformas microeconômicas, governabilidade e confiança. "Nossa linha de base assume que os riscos políticos podem ser elevados em 2026, mas que as eleições não trarão mudanças substanciais na política macroeconômica", afirma a agência.

Quanto às finanças públicas, a perspectiva é de que permaneçam frágeis para muitos países da América Latina, com déficits elevados e dívidas crescentes, fatores que podem gerar efeitos adversos sobre a inflação e as taxas de juros.

O desempenho fiscal varia entre os países, com os encargos da dívida pública em relação ao PIB geralmente aumentando nas maiores economias e diminuindo nas menores.