INTEGRAÇÃO REGIONAL

'Brasil defende neutralidade do Canal do Panamá', afirma Lula

Presidente destaca importância estratégica do canal e critica falta de coesão política na América Latina durante fórum no Panamá

Publicado em 28/01/2026 às 12:17
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (28), a neutralidade do Canal do Panamá e criticou a falta de coesão política na América Latina e no Caribe. A declaração foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá.

Em seu discurso, Lula afirmou que ainda falta convicção às lideranças regionais para a adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional. “A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória”, declarou o presidente. Ele também destacou o avanço do Brasil no programa de Rotas de Integração Sul-Americana e o compromisso em fortalecer parcerias com países vizinhos.

Lula alertou para o risco de a região desperdiçar oportunidades de debate estratégico em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e mudanças na ordem econômica internacional.

Segundo o presidente, os mecanismos de articulação política regional perderam força nos últimos anos, o que contribuiu para o enfraquecimento da integração latino-americana. “Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios. A Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) está paralisada, apesar dos esforços do presidente Petro”, avaliou. “Falta convicção às lideranças regionais.”

Lula ressaltou que setores estratégicos, como centros de dados, bioeconomia e minerais críticos, podem servir de base para um novo modelo de desenvolvimento regional, mais sustentável e alinhado às demandas da transição energética global.

No campo econômico, o presidente destacou a estratégia brasileira de diversificação de parceiros comerciais e anunciou a ampliação de negociações com economias emergentes e tradicionais. “Vamos ampliar os acordos com a Índia e o México. Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos”, afirmou.