TENSÃO DIPLOMÁTICA

'É um julgamento absolutamente político', diz procurador sobre caso Maduro nos EUA

Procurador-geral da Venezuela classifica processo contra Maduro nos EUA como 'aberração jurídica' e pede retomada do diálogo entre os países.

Por Sputnik Brasil Publicado em 28/01/2026 às 12:35
Procurador-geral da Venezuela critica julgamento de Maduro nos EUA e pede diálogo diplomático. © AP Photo / Ariana Cubillos

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, classificou como "aberração jurídica sem precedentes" o processo movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro. Saab denunciou as acusações como "falsas e incoerentes" e defendeu a retomada da diplomacia entre Caracas e Washington para evitar o agravamento das tensões.

O governo venezuelano voltou a criticar de forma contundente o processo conduzido pelas autoridades norte-americanas. Segundo Saab, o caso representa "uma violação extrema do direito internacional" e configura um julgamento "absolutamente político".

Em entrevista à Sputnik, o procurador lembrou o episódio de 3 de janeiro, marcado por um bombardeio que, segundo Caracas, teria como objetivo sequestrar Maduro e resultou em mais de 100 mortos entre civis e militares. "Ali ficou pulverizado o direito internacional", declarou.

O procurador questionou o fato de Maduro e sua esposa estarem sendo julgados por autoridades dos EUA. "Não é um tribunal internacional que está julgando o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama. É o Departamento de Justiça dos Estados Unidos", afirmou. Para ele, isso constitui "uma aberração jurídica que não tem antecedentes no mundo".

Saab também criticou o teor das acusações. "Tive acesso ao expediente: são acusações totalmente falsas, inconexas e incoerentes", afirmou. Segundo ele, inicialmente se alegava que Maduro liderava o chamado Cartel de los Soles, mas "o próprio Departamento de Justiça depois reconheceu que tal cartel não existe".

Outro ponto contestado foi o uso recorrente do nome Tren de Aragua em denúncias nos EUA. "Esse grupo foi desmantelado na Venezuela. Há quase 100 de seus membros presos aqui", disse. Para Saab, a associação automática de qualquer crime cometido por venezuelanos ao grupo serve apenas "para alimentar uma narrativa construída durante anos".

O procurador classificou o processo como "uma ação brutal à margem da lei, sem base jurídica, sem provas e sem perícia". Ele argumentou que a legislação norte-americana proíbe operações desse tipo sem autorização do Congresso e sem que haja estado de guerra, ressaltando que "a Venezuela não estava em guerra com os Estados Unidos".

Apesar das críticas, Saab defendeu a retomada do diálogo bilateral. "O que proponho é que se restabeleça a diplomacia de paz", concluiu.