MEIO AMBIENTE

Terceiro vazamento em Congonhas: resíduos de mineração atingem rio

Fiscalização aponta falhas na drenagem da CSN Mineração e danos ambientais moderados; prefeitura reforça monitoramento após série de incidentes.

Publicado em 28/01/2026 às 14:15
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A cidade de Congonhas, em Minas Gerais, registrou o terceiro episódio de vazamento relacionado à atividade mineradora em poucos dias. Desta vez, a situação envolve a CSN Mineração. De acordo com a prefeitura, vistorias realizadas entre sexta-feira (23) e terça-feira (27) identificaram carreamento de resíduos provocado por enxurradas, decorrente de deficiências nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora.

Fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas confirmou que o carreamento ocorreu na área interna da CSN Mineração. A administração municipal ressalta, porém, que não houve rompimento de estruturas. Procurada pela reportagem, a empresa ainda não se manifestou sobre o caso.

As inspeções, de caráter preventivo e técnico, foram motivadas por denúncias recebidas pela prefeitura.

No Dique do Fraille, na região do bairro Plataforma, foi constatado carreamento significativo de resíduos, o que levou à exigência de adequações estruturais para que a área suporte o elevado volume de material e evite riscos de extravasamento. Já na Cachoeira de Santo Antônio, verificou-se o deslocamento de resíduos por enxurradas em direção ao Rio Santo Antônio.

A Secretaria de Meio Ambiente emitiu comunicações emergenciais na sexta-feira (23), solicitando à CSN Mineração esclarecimentos atualizados sobre a integridade, estabilidade e gestão de riscos das estruturas associadas à mineração. Segundo a prefeitura, a empresa respondeu dentro do prazo, informando que não foram identificadas anomalias estruturais.

A vistoria confirmou problemas de drenagem e danos ambientais classificados como de natureza moderada, causados pelo carreamento de resíduos da mineração que atingiram corpos d’água.

A Defesa Civil Municipal também realizou inspeção na área na terça-feira (27), após denúncia de moradores, e confirmou as condições identificadas pela fiscalização ambiental.

Em nota, a prefeitura de Congonhas afirmou que segue monitorando rigorosamente a situação, adotando todas as providências legais para proteger o meio ambiente, prevenir novos impactos e garantir a segurança da população.

Suspensão de alvarás da Vale

Na segunda-feira (26), a prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale no município, após o vazamento de água de duas estruturas de drenagem (sumps) para rios e córregos da cidade.

O primeiro vazamento ocorreu na mina Fábrica, no domingo (25). Poucas horas depois, no mesmo dia, houve outro vazamento na mina Viga. Estima-se que cerca de 200 mil metros cúbicos de água tenham atingido rios de Congonhas.

Em nota, a Vale informou que irá se manifestar dentro dos prazos legais, colaborando com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários.