ECONOMIA

Tesouro Nacional projeta cenário de desaceleração e ajuste gradual da Selic no PAF 2026

Plano Anual de Financiamento considera inflação em queda, normalização dos juros e diferentes cenários para economia global e doméstica.

Publicado em 28/01/2026 às 15:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira, 28, que o cenário básico utilizado na elaboração do Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 prevê uma "desaceleração moderada da economia" brasileira. De acordo com o órgão, a inflação deve começar a ceder, favorecida por um câmbio mais valorizado, enquanto o processo de normalização da taxa Selic terá início no começo de 2026, seguindo um ritmo gradual. "Esse cenário pressupõe o cumprimento da meta fiscal", destaca o PAF.

No contexto doméstico, o Tesouro também avaliou um cenário alternativo adverso, marcado por "maiores dificuldades para o avanço da agenda econômica do governo e para a preservação da disciplina fiscal". Essa conjuntura resultaria em uma desaceleração econômica mais intensa.

Por outro lado, em um cenário otimista, o avanço das medidas de controle fiscal reduziria a incerteza e a volatilidade dos ativos, segundo o relatório. Isso permitiria um câmbio estável ou apreciado e o cumprimento da meta fiscal, abrindo espaço para a redução da Selic e um crescimento econômico mais favorável.

No âmbito internacional, o cenário básico considera uma queda gradual da inflação nos Estados Unidos, com redução mais lenta dos juros no curto prazo. Nesse ambiente, a China poderia suavizar sua desaceleração estrutural, aponta o Tesouro.

O cenário alternativo externo prevê cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) no curto prazo, o que aumentaria a percepção de risco e provocaria instabilidade nos mercados cambiais, pressionando países emergentes. A China, por sua vez, enfrentaria impactos negativos no comércio exterior devido a esse choque.

"A condução da política monetária pelo Fed e o desempenho da economia chinesa são fatores-chave na diferenciação dos cenários", ressalta o Tesouro, acrescentando que a economia global seguirá enfrentando um choque tarifário relevante em 2026.