SAÚDE PÚBLICA

Surto de doença de Chagas preocupa moradores de Ananindeua, no Pará

Cidade já registrou quatro mortes este mês; Ministério da Saúde reforça monitoramento e ações preventivas

Publicado em 28/01/2026 às 16:28
Aumento de casos e mortes por doença de Chagas mobiliza autoridades em Ananindeua (PA).

Após a confirmação de quatro mortes e cerca de 14 casos de doença de Chagas em janeiro, o Ministério da Saúde elevou a classificação para surto em Ananindeua, no Pará, devido ao aumento expressivo de ocorrências.

As mortes registradas neste mês, incluindo a de uma menina de 11 anos, já superam o total acumulado dos últimos cinco anos na cidade. O número de casos notificados em janeiro representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2025, foram contabilizados 45 casos, sendo que 26 ocorreram apenas em dezembro.

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A Secretaria Municipal de Saúde informou que está seguindo todos os protocolos do Ministério da Saúde, com apoio técnico do Instituto Evandro Chagas, e monitora outros 40 casos suspeitos.

Cerca de 200 agentes comunitários de saúde percorrem residências em Ananindeua, orientando a população sobre prevenção. No bairro Cidade Nova, aproximadamente duas mil famílias já receberam visitas dos agentes.

Em nota, o Ministério da Saúde classificou o cenário como “surto associado à transmissão oral”, ainda em investigação por equipes da Secretaria Estadual de Saúde do Pará, Anvisa e Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.

A doença de Chagas é transmitida principalmente pelo consumo de alimentos contaminados com fezes do inseto barbeiro. Na região, o manejo correto do açaí é considerado a principal barreira contra a doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Para reforçar a prevenção, a prefeitura desenvolve o projeto Casa do Açaí, que capacita trabalhadores e moradores em boas práticas de manipulação do fruto, tanto para comercialização quanto para o consumo doméstico. Em 2025, 840 pessoas participaram do curso; em 2026, já são 130 trabalhadores capacitados, com novas turmas previstas para fevereiro e março.

A Vigilância em Saúde mantém um canal de atendimento para denúncias ou esclarecimento de dúvidas, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, pelo WhatsApp (91) 98051-1967.